A prisão de Megiddo, no norte de Israel. Foto: Reprodução

Palestinos mantidos em prisões israelenses têm vivido condições “desumanas” e sofrido “violência severa e arbitrária”, segundo um relatório publicado Centro de Informação Israelita para os Direitos Humanos nos Territórios Ocupados (B’tselem). Uma delas é a de Megiddo, onde o brasileiro-palestino Walid Khaled Abdallah morreu neste domingo (23).

O local já foi denunciado por diversas organizações de defesa de direitos humanos e Marwan Barghouti, um dos prisioneiros palestinos sob custódia em Israel mais conhecidos, foi espancado em sua cela de isolamento em setembro passado.

Barghouti sofreu “numerosas feridas no corpo”, incluindo fratura nas costelas, uma hemorragia na orelha e uma ferida no braço direito. A Autoridade Penitenciária Israelense (IPS) afirmou que o prisioneiro apresentou duas denúncias por maus-tratos em Megiddo, mas um tribunal israelense alegou que “não houve nenhuma violação da lei”.

Palestinos caminham na prisão de Megiddo, em Israel. Foto: Menahem Kahana/AFP

A Fepal (Federação Árabe Palestina do Brasil) aponta que a cadeia de Megiddo é conhecida por “uso de tortura com choques elétricos, espancamentos, privação de comida e até uso de cachorros”.

O relatório do B’tselem ainda cita Fouad Hassan, que relatou ter sido recebido em Megiddo por um soldado israelense com a frase “bem-vindo ao inferno”. Ele foi espancado e torturado no local, que fica ao norte do país.

Segundo o documento, os centros de detenção israelenses têm relatos de “violência sexual, humilhação e degradação, fome forçada, condições forçadas de falta de higiene, privação de sono”, além de práticas violentas como uma “política organizada e declarada das autoridades prisionais” do país.

O Mosaico de Megiddo, descoberto em 2005 durante a construção da prisão. Foto: Reprodução

“O abuso descrito consistentemente nos testemunhos de dezenas de indivíduos detido em diferentes locais foi sistemático”, diz o B’tselem. Os centros de detenção são chamados de “campos de tortura” e “dedicados ao abuso de prisioneiros”, de acordo com o relatório.

Em julho de 2024, cerca nove meses depois do ataque de outubro de 2023 do Hamas ao território israelense, existiam 9.623 palestinos detidos em prisões do tipo. O número é maior que o dobro do registrado antes do episódio: 4.781.

O brasileiro-palestino Walid Khaled Abdallah. Foto: Reprodução

Walid Khaled Abdallah vivia na Cisjordânia e foi preso em setembro passado após ser acusado de agredir soldados. O governo Lula questionou autoridades israelenses sobre as circunstâncias de sua morte e a principal suspeita é que ele tenha falecido por negligência médica.

Cerca de 6 mil palestinos de origem brasileira vivem na Cisjordânia e relatam que existe uma rotina de tensão na região. Desde o início do conflito entre Israel e Hamas, 63 pessoas morreram em centros de detenção do tipo.

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Last Update: 24/03/2025