A China tem trabalhado silenciosamente na interconexão das operações financeiras entre os países parceiros por meio do sistema de liquidação RMB (Yuan chinês), em uma estrutura onde a velocidade de compensação é muito menor em relação ao sistema vigente.
Antes do Ano Novo Chinês, o serviço de câmbio Wise introduziu serviços de pagamento transfronteiriço dos clientes em Hong Kong para a China continental. Agora, clientes em todo mundo – sejam eles pessoas físicas ou empresas – podem enviar dinheiro para usuários do serviço UnionPay da China continental e de fora da China continental.
Segundo o site FintechNews, as transferências para destinatários do UnionPay foram feitas ainda mais rápido, com certas transações agora creditadas em cartões UnionPay em tempo real, permitindo que os destinatários acessem os fundos imediatamente.
E, na última semana, o Banco Popular da China anunciou que o sistema de liquidação transfronteiriça digital RMB (Yuan Chinês) será interligado a seis países do Oriente Médio e aos dez países que integram a ASEAN (Associação De Nações do Sudeste Asiático).
Em linhas gerais, 38% do volume comercial movimentado globalmente entrará diretamente no RMB digital, com predominância do renminbi chines, em detrimento do sistema SWIFT controlado pelo dólar norte-americano.
Em publicação no X, o político nigeriano Ségun Shówùnmí citou como exemplo um teste realizado entre Hong Kong e Abu Dhabi, onde uma empresa efetuou o pagamento de um fornecedor do Oriente Médio via RMB Digital.
Ao contrário do que acontece no SWIFT, onde os fundos precisam passar por uma série de bancos intermediários, os recursos foram recebidos em tempo real por meio de um livro-razão distribuído, e a taxa de manuseio caiu 98%.
“Essa capacidade de “pagamento relâmpago” faz com que o sistema de compensação tradicional dominado pelo dólar americano pareça instantaneamente desajeitado”, ressalta.
Interligação digital
Na visão do político nigeriano, o ponto que mais choca é que o RMB digital não se configura como uma ferramenta de pagamento, mas como um portador técnico da estratégia Belt and Road estruturada pelos chineses junto a diversos mercados do sudeste asiático, em uma espécie de “Rota da Seda Digital”.
“Quando as montadoras europeias usam o RMB digital para liquidar cargas pela rota do Ártico, a China está usando a tecnologia blockchain para aumentar a eficiência comercial em 400%”, pontua o político, afirmando que “essa estratégia virtual-real faz com que a hegemonia do dólar americano pareça uma ameaça sistêmica pela primeira vez”.
“Enquanto os Estados Unidos ainda debatem se a moeda digital ameaça o status do dólar americano, a China construiu silenciosamente uma rede de pagamento digital que abrange 200 países. Essa revolução financeira silenciosa não se trata apenas de soberania monetária, mas também determina quem pode controlar a tábua de salvação da futura economia global”.