A geração Cacique de Ramos, que emergiu no fim dos 1970 e no início dos anos 1980 com Almir Guineto, Luiz Carlos da Vila, Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho e Jorge Aragão, rompeu padrões. É o que pensa Sombrinha, expoente desse grupo de cantores e compositores que colocou o samba em seu devido lugar na história.

“Mudamos paradigmas no sentido de ritmo e poético. Foi uma árvore frondosa. Saiu muito compositor bom dali”, afirmou, em entrevista a CartaCapital“O movimento do Cacique de Ramos foi tão importante quanto a Bossa Nova e a Tropicália. Uma contribuição fundamental à música brasileira. Virou uma escola.”

Ele lembra que o Fundo de Quintal, grupo surgido em rodas de samba na quadra do Cacique de Ramos, na zona norte do Rio de Janeiro, introduziu o tantã, o repique de mão e o banjo na instrumentação do samba.

“Temos muito orgulho desse legado. É difícil pegar uma música ruim. Não íamos no Cacique cantar música que tocava na rádio. Estava todo mundo querendo apresentar seu samba novo.”

Sombrinha atribui a Beth Carvalho o impulso dado ao movimento, uma vez que a cantora gravou diversos compositores surgidos nas rodas do Cacique de Ramos. Ele enfatiza que até hoje, passados mais de 40 anos, cantam suas composições daquela época. “Hoje, não vejo criação desse tipo. Está ruim de renovar.”

Montgomery Ferreira Nunis, o Sombrinha, completa 66 anos neste sábado 30. Em 8 de setembro, no Vivo Rio, no Rio de Janeiro, celebra em um show especial seus 50 anos de carreira. A apresentação terá participações de Jorge Aragão, Nina Wirtti, Sombra (seu irmão), Bebê Kramer, Xande de Pilares e Diogo Nogueira, que também assina a direção artística. 

O show, com 17 músicos no palco, contará com músicas inéditas e sucessos da carreira. A apresentação será gravada para o lançamento de um registro audiovisual.

Sombrinha nasceu em São Vicente (SP), na Baixada Santista, e começou cedo na música. Aos 14 anos, já tocava violão na então conhecida casa noturna Chão de Estrelas, em Santos. Antes, seu pai já fazia rodas de samba e choro em casa. O choro, a propósito, exerceu uma grande influência na carreira de Sombrinha.

Em 1975, ele passou a tocar em um grupo chamado Nova Força. Três anos depois, fez sua primeira gravação tocando violão sete cordas, no álbum Aniversário do Tarzan, do Originais do Samba. O convite partiu de Almir Guineto.

Logo depois, passou a frequentar as rodas do Cacique de Ramos, de onde chegou ao Fundo de Quintal. Permaneceu no grupo por cerca de dez anos, gravando dez discos.

Após a saída do Fundo de Quintal, registrou dois discos solo – um com seu nome (1992) e Pintura na Tela (1994) – e formou dupla com Arlindo Cruz, gravando cinco álbuns de 1995 a 2002. 

Depois de voltar à carreira solo, lançou Derramando Alegria (2003), Matéria-Prima (2013) e Viver Gonzaguinha (2024). 

Sobrinha tem mais de 400 músicas gravadas. Entre seus maiores sucessos estão: Ainda É Tempo de Ser Feliz (com Arlindo Cruz), Além da Razão (com Sombra e Luiz Carlos da Vila), Alto Lá (com Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz), É Sempre Assim (com Arlindo Cruz e Marquinho PQD), Fogo de Saudade (com Adilson Victor), Malandro Sou Eu (com Arlindo Cruz e Franco), Mutirão de Amor (com Jorge Aragão e Zeca Pagodinho), Não Quero Mais Saber Dela (com Almir Guineto), O Show Tem que Continuar (com Luiz Carlos da Vila e Arlindo Cruz), Seja Sambista Também (com Arlindo Cruz) e Só pra Contrariar (com Arlindo Cruz e Almir Guineto).

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Last Update: 30/08/2025