Brasil mostra que crescimento econômico e justiça social podem caminhar juntos, fortalecendo mercado interno e gerando oportunidades reais
Em meio a um cenário global marcado por incertezas, instabilidade geopolítica e desaceleração econômica em grandes potências, o Brasil dá sinais concretos de que está trilhando um caminho próprio: um caminho de justiça social, estímulo ao consumo interno e fortalecimento da economia doméstica. A proposta do Orçamento para 2026, encaminhada ao Congresso Nacional na noite desta sexta-feira (29), traz duas medidas estratégicas que, juntas, podem representar um divisor de águas para o desenvolvimento nacional: o reajuste do salário mínimo para R$ 1.631 e a reforma da tabela do Imposto de Renda (IR), com ampliação da isenção para quem ganha até R$ 5 mil.
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Essas iniciativas não são apenas ajustes técnicos ou números em uma planilha. São escolhas políticas profundas, que refletem uma visão de país onde o crescimento econômico não pode ser desvinculado da dignidade humana, do poder de compra das famílias e da justiça tributária.
Salário Mínimo em Alta: R$ 1.631 como Símbolo de Recuperação
O novo piso nacional de R$ 1.631, com alta de 7,44% em relação aos R$ 1.518 de 2025, é mais do que uma atualização nominal. É um sinal de que o Brasil está recuperando o valor real do salário mínimo após anos de desgaste. O reajuste, embora limitado pela nova regra orçamentária que impõe um teto de 2,5 pontos percentuais acima da inflação, ainda supera as projeções iniciais — inclusive a estimativa de R$ 1.630 prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
A fórmula completa, que somaria a inflação (INPC) ao crescimento do PIB, apontaria para um aumento de 8,18%. No entanto, o governo optou por respeitar o limite legal, demonstrando responsabilidade fiscal sem abrir mão do compromisso social. Essa contenção, longe de ser um retrocesso, mostra maturidade na gestão: o equilíbrio entre proteção aos mais vulneráveis e sustentabilidade das contas públicas.
E o impacto? Gigantesco. O salário mínimo serve de base para mais de 50 milhões de benefícios sociais, aposentadorias, pensões e programas como o Bolsa Família. Cada real a mais no piso nacional tem efeito cascata em milhões de lares, impulsionando o consumo, fortalecendo o comércio local e aquecendo a economia de baixo para cima.
É importante lembrar que o valor ainda não é definitivo. Ele dependerá da inflação real entre dezembro de 2024 e novembro de 2025. Se o INPC superar as expectativas, o governo terá até dezembro para enviar uma mensagem modificativa ao Congresso, elevando ainda mais o mínimo. Esse mecanismo de correção atrelado à inflação garante que o poder de compra dos trabalhadores não seja corroído — um avanço crucial após décadas de perda de valor real do salário mínimo.
Justiça tributária e estímulo ao consumo
Enquanto o salário mínimo fortalece os mais pobres, a reforma da tabela do Imposto de Renda ataca outro front: a desigualdade tributária. A proposta de elevar a isenção total para quem ganha até R$ 5 mil mensais — quase dobrando o limite atual de R$ 2.824 — é um dos movimentos mais ousados e acertados da política econômica recente.
Segundo o ministro da Casa Civil, Rui Costa, mais de 20 milhões de brasileiros serão beneficiados com essa mudança. São trabalhadores da classe média baixa, servidores públicos, professores, enfermeiros, motoristas de aplicativo — pessoas que, apesar de não viverem na pobreza, sentem no bolso o peso de um sistema tributário defasado, que há mais de uma década não é corrigido pela inflação.
A consequência? A chamada “arrecadação por tabela”, onde milhões de pessoas passam a pagar imposto não por ganharem mais, mas por perderem poder de compra com a inflação. Isso é injusto, ineficiente e prejudica o consumo.
Agora, com a nova tabela, o governo devolve poder de compra a quem mais precisa. E o efeito é direto: mais dinheiro no supermercado, nas feiras, nas farmácias, nas roupas das crianças, nos passeios em família. Como destacou Rui Costa: “Estamos falando do limite da vida digna de uma pessoa”. É uma política que entende que dignidade não é luxo — é necessidade.
Tributação de grandes fortunas
Claro, toda política tem custo. Mas, diferentemente de medidas anteriores que desoneravam os ricos à custa dos pobres, esta reforma busca equilíbrio e justiça. A compensação virá de uma taxa de até 10% sobre rendas anuais superiores a R$ 600 mil, atingindo cerca de 141,4 mil contribuintes que atualmente não pagam imposto devido a brechas e isenções.
Não se trata de “pegar o rico”, como alguns querem pintar. Trata-se de modernizar o sistema tributário, tornando-o mais progressivo e alinhado com os princípios de justiça social. Países desenvolvidos como os EUA, França e Alemanha já têm alíquotas crescentes para altas rendas. O Brasil, com uma das maiores desigualdades do mundo, não pode continuar isentando quem mais tem.
Além disso, a medida não afeta a maioria dos trabalhadores. Apenas 0,07% da população brasileira está nessa faixa de renda. O impacto é simbólico, mas poderoso: mostra que o Estado pode ser um agente de redistribuição sem punir a produtividade.
Resistência política? Sim.
É inevitável que haja resistência. Partidos de oposição, setores do mercado e interesses corporativos já começam a questionar os impactos da reforma. Alguns prefeitos, por exemplo, alegam que a mudança afetará as finanças municipais. Mas, como bem rebateu Rui Costa, a lógica não se sustenta: a tabela do IR é federal, e os municípios não dependem diretamente dessa arrecadação. O que precisamos, na verdade, é de mais cooperação entre os entes federativos — e não de sabotagem política.
Aliás, o governo tem demonstrado compromisso com todos os níveis de governo. O ministro citou o exemplo do Rio Grande do Sul, que receberá R$ 109 bilhões em investimentos — a maior transferência de recursos já feita por um presidente a um único estado. Um sinal claro de que o pacto federativo está sendo respeitado.
Também merece destaque o investimento em Belém (PA), sede da COP30 em 2025. A construção de um cabo de internet subfluvial, que conectará comunidades ribeirinhas e abrirá espaço para novos negócios digitais, é um exemplo de como infraestrutura e inclusão podem andar juntas. É desenvolvimento com sustentabilidade, justiça climática e oportunidade.
Uma nova economia em construção
O Brasil de 2026 pode ser diferente. Não por milagre, mas por escolha. As medidas anunciadas — o salário mínimo de R$ 1.631 e a reforma do IR — não são apenas técnicas. São políticas de Estado, que colocam o cidadão no centro da economia.
Elas reconhecem uma verdade simples: o consumo interno é o motor do crescimento brasileiro. Quando o pobre e o trabalhador têm mais dinheiro no bolso, compram, movimentam o comércio, geram empregos e aumentam a arrecadação indireta (como ICMS e IPI). É um ciclo virtuoso que beneficia todos.
Além disso, essas ações fortalecem a imagem do Brasil no exterior. Enquanto o G7 enfrenta estagnação e perda de influência, o BRICS avança, e o Brasil tem a chance de se posicionar como líder de um novo modelo econômico — mais inclusivo, mais sustentável, mais justo.
Um país mais justo
Nada disso é garantido. A aprovação no Congresso ainda depende de negociação, pressão social e clareza de objetivos. Mas o caminho está traçado. O governo federal mostrou coragem ao propor mudanças estruturais em um momento de fragilidade global.
O salário mínimo de R$ 1.631 e a reforma do IR são mais do que números: são promessas de um Brasil que valoriza seu povo, respeita seu trabalho e investe em seu futuro. São medidas que, se bem implementadas, podem devolver ao brasileiro a sensação de que o país está, de fato, andando.
E quando o trabalhador puder levar um produto a mais para casa, quando o professor puder comprar o remédio sem pensar duas vezes, quando o pai puder levar o filho à praia — aí saberemos que a economia não está apenas crescendo. Está servindo ao seu propósito mais nobre: garantir dignidade a todos.
O Brasil merece esse salto. E, em 2026, ele pode finalmente acontecer.