Brasil alcança marco histórico: matriz energética com 50% de fontes renováveis

O Brasil atingiu na matriz energética, em 2024, a marca de 50% de geração de energia renovável. Equivalente a um índice quatro vezes acima da média global, segundo a Resenha Energética Brasileira 2025, divulgada na última segunda-feira (1º) pelo Ministério de Minas e Energia (MME).  Trata-se de um marco histórico, impulsionado principalmente pelo avanço das fontes solar e eólica, que registraram crescimentos expressivos de 33,2% e 12,4%, respectivamente.

A Resenha Energética Brasileira 2025 é uma publicação anual do MME que reúne dados sobre oferta, demanda e infraestrutura energética do ano anterior. O relatório destaca que a Oferta Interna de Energia (OIE) disponibilizada para atender à demanda nacional alcançou o recorde de 322 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (TEP), unidade que padroniza diferentes fontes energéticas. O valor representa aumento de 2,4% em relação a 2023. As fontes renováveis, como hidráulica, bioenergia (derivados de cana-de-açúcar, lenha e biodiesel), eólica e solar, responderam por metade da oferta, um avanço de 0,9 ponto percentual em comparação ao ano anterior.

Brasil usa quatro vezes mais energia renovável que a média global

A energia solar contribui com 2,2% da matriz total, impulsionada pela expansão da Geração Distribuída (GD), sistema em que consumidores produzem a própria energia, como painéis solares em residências e empresas. A GD injetou 24,1 terawatts-hora (TWh) na rede em 2024, crescimento de 36,6%. Já a eólica representa 2,9% da matriz, concentrada principalmente no Nordeste, onde estados como Bahia e Rio Grande do Norte lideram a produção. A projeção é que as fontes solar e eólica ampliem ainda mais a contribuição na matriz total nos próximos anos.

Em outra frente, políticas públicas como a Lei de Combustível do Futuro, que estabelece metas crescentes para o uso de biocombustíveis nos transportes, permitiram a substituição do consumo dos derivados fósseis. O biodiesel, por exemplo, teve a mistura obrigatória no diesel elevada para 14% em 2024, resultando em aumento de 19,2% no consumo. A medida reduz a dependência de combustíveis fósseis importados e integra o agronegócio à cadeia energética, gerando empregos em áreas rurais. O etanol hidratado também aumentou em 15,6%.

Competitividade e desafios futuros

O marco reforça a competitividade do Brasil no cenário internacional e contribui para ampliar investimentos em tecnologias de ponta como hidrogênio verde e captura de carbono. Projeções da Resenha indicam a possibilidade de gerar até 1,2 milhão de empregos diretos e indiretos até 2030, especialmente em eficiência energética e renováveis.

As emissões de gases de efeito estufa (GEE) pelo uso de energia somaram 413,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (MtCO2eq) em 2024, aumento de apenas 1,4%, mas ainda 14,1% abaixo do pico registrado em 2014.

O secretário Nacional de Transição Energética e Planejamento do MME, Gustavo Cerqueira Ataíde, destacou: “Esta nova edição da Resenha Energética evidencia o aprimoramento contínuo das políticas do setor e reafirma o caminho do aproveitamento dos recursos nacionais e da diversificação da matriz. Continuaremos trabalhando para fortalecer a transição energética e assegurar o protagonismo do Brasil no cenário global”.

Apesar dos avanços, permanecem desafios, como ampliar a oferta energética para atender à demanda industrial e garantir investimentos em transmissão.

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