Primeiro líder eleito por voto direto, o deputado federal Gilberto Nascimento (PSD-SP), comandará a bancada evangélica do Congresso Nacional pelos próximos dois anos. O parlamentar recebeu 117 votos e foi escolhido para o posto nesta terça-feira 25, à luz de um racha no bloco, que contém 246 deputados e 23 senadores.

Seu principal adversário, Otoni de Paula, do MDB do Rio de Janeiro, ficou em segundo lugar com 61 apoios. Horas antes do início da votação, Greyce Elias (Avante-MG), única mulher na disputa, decidiu abrir mão da candidatura para apoiar o colega pessedista. O anúncio do vencedor ocorrerá no tradicional culto promovido pela bancada, nesta quarta-feira 26.

Criada em 2003, a Frente Parlamentar Evangélica escolhe seus líderes por consenso. Há dois anos, diante da falta de unanimidade, os integrantes do bloco negociaram a retirada da candidatura de Otoni em prol de um acordo de presidência alternada entre Eli Borges (PL-TO) e Silas Câmara (Republicanos-AM). Em troca, os dois teriam de apoiá-lo em 2024.

Desta vez, porém, não foi possível escolher o chefe da bancada devido à forte polarização interna. A falta de consenso reflete o bate-cabeça interno sobre qual rumo tomará a FPE nos dois últimos anos de governo Lula. Otoni e Nascimento têm visões distintas sobre o relacionamento com o Planalto.

Enquanto o primeiro tem se aproximado de integrantes da gestão petista, o segundo contava com o apoio da ala ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O nome de Otoni era visto como preferido desde o ano passado, mas os gestos recentes ao Planalto fez os integrantes do bloco migrarem para a candidatura do bolsonarismo.

O ápice do descontentamento ocorreu quando, em outubro passado, o parlamentar do MDB participou da cerimônia em que Lula sancionou a lei do Dia Nacional da Música Gospel e apareceu ao lado dele em uma oração. Sob reserva, seus colegas avaliam que ele aproximou-se demais do petista, cuja desaprovação entre os eleitores evangélicos é de 56%, segundo pesquisas recentes.

Também pesou contra sua candidatura o fato dele ter apoiado Eduardo Paes (PSD), adversário do bolsonarista Alexandre Ramagem (PL), na disputa pela prefeitura do Rio de Janeiro nas eleições municipais do ano passado.

Os parlamentares contrários à candidatura do emedebista se organizaram em torno de Nascimento, apoiado pelo pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

Horas antes da eleição, Bolsonaro e seus aliados decidiram intervir na disputa e passaram a telefonar para deputados, a fim de convencê-los a votar no parlamentar do PSD. Nessas conversas, segundo relatos à reportagem, o ex-presidente teria recomendado aos que definiram voto em Otoni procurar o apoio de Lula nas eleições do ano que vem.

Quem é Gilberto Nascimento

Eleito três vezes vereador em São Paulo e duas vezes deputado estadual, Gilberto Nascimento tem 68 anos e está no terceiro mandato como deputado federal. Foi um dos fundadores da FPE durante sua primeira experiência na Câmara, por isso é visto por colegas como uma espécie de ‘ancião’ do bloco. Não se reelegeu em 2006, mas retornou à Casa em 2015.

Em 2023, tornou-se suplente para a Mesa Diretora da Casa. Foi eleito pela primeira vez no PSB, transitando entre partidos até 2011, quando se estabeleceu no extinto PSC. Apoiou o pedido de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff e fez parte das bases de apoio dos presidentes Michel Temer e Bolsonaro.

Chegou a ser acusado de suposta participação no Mensalão e de envolvimento no Escândalo das Sanguessugas, esquema de corrupção que desviava recursos para a compra de ambulâncias superfaturadas. Neste último caso, chegou foi indiciado em 2007 pela Polícia Federal, mas nenhuma das acusações foi comprovada. Em sua última eleição, recebeu quase 92 mil votos em SP.

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Last Update: 25/02/2025