Na última segunda-feira (10), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não descartou a possibilidade de uma recessão na maior economia do mundo. 

Consequentemente, os principais índices de ações da bolsa norte-americana despencaram, gerando efeitos também nos demais mercados de ações. 

Para analisar a política do presidente norte-americano, que anuncia sistematicamente tarifação sobre produtos importados de diversos parceiros comerciais, o programa TVGGN 20H contou com a participação de Paulo Feldmann, economista e professor da Universidade de São Paulo (USP), e de Pedro Costa Jr., cientista político. 

Feldmann lembrou que os acordos de Bretton Woods completaram, em 2024, 80 anos e que representaram um marco na governança mundial, uma vez que os países vencedores da Segunda Guerra Mundial chegaram à conclusão de que o conflito foi resultado da crise de 1929, quando Europa e Estados Unidos tiveram de encarar uma grande recessão. 

Assim, era preciso haver uma governança mundial para evitar novas crises e, consequentemente, conflitos. E desses acordos foram criadas diversas instituições, como a ONU, o FMI, o Bird, entre outros. 

“Foram vários acordos importantes para dar estabilidade ao mundo nesses 50 anos. O PIB per capita mundial cresceu 50 vezes. O número de pessoas que saíram da pobreza nestes últimos 40 anos é de mais de um bilhão. Eram pessoas que passavam fome e viraram trabalhadores e consumidores”, ressalta o professor. 

Por isso, os recentes anúncios de Trump, que tirou os EUA da OMS, por exemplo, deveriam ser vistos com mais preocupação. 

“O que o Trump está fazendo agora é desmontar tudo isso. A humanidade agora tinha de se preocupar muito mais do que está se preocupando, porque não é simplesmente questão da super tarifa que ele está criando, isso vai criar um problema econômico, claro, para ele mesmo”, avalia Feldmann.

Em relação à economia, se colocadas em prática, a super tarifação de produtos importados deve gerar uma inevitável inflação, que vai colocar a continuidade de Trump no poder em risco. 

“Na minha opinião, não vai demorar muito para que o povo fique incomodado e peça a cabeça do Trump”, acrescenta o docente.

Agro brasileiro

Para o cientista político Pedro Costa Jr., quem deve sair vencedor de uma eventual guerra de tarifas impostas pelo presidente norte-americano é o agro brasileiro. 

“A retaliação da China é muito precisa porque vai no alvo do agro, da soja, ao anunciar retaliações de 15%, vai no alvo da base eleitoral do Trump. O agro que apoiou Trump, que elegeu Trump, endossa Trump fez uma carta aberta agora, dizendo que o grande vencedor da guerra tarifária de Trump será o agro brasileiro”, lembrou Costa Jr.

Mas além de se preocupar com a governança mundial, os governos do mundo todo têm ainda outro grande desafio: o domínio das big techs. Na visão de Paulo Feldmann, elas representam um dos problemas mais sérios da humanidade neste momento. 

“O mundo estava preocupado e o próprio Joe Biden [ex-presidente dos EUA] fez uma regulamentação inclusive, relativamente boa, que contemplava o controle da inteligência artificial, para que ela não chegasse a uma situação que todos nós tememos que ela chegue”, completou o professor. 

No entanto, uma das primeiras medidas de Trump ao assumir seu segundo mandato em janeiro foi justamente suspender as medidas de Biden. 

“O que é pior é que todas essas empresas estão alinhadas com o Trump, declaradamente, inclusive contribuíram na campanha dele, estiveram presentes na posse dele, e o que vai acontecer? Elas vão estender essa atuação nefasta que houve na campanha eleitoral americana, divulgando fake News, desmentindo aqueles que criticavam o Trump, vai estender isso para o resto do mundo”, continua o professor.

Confira o programa na íntegra:

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Last Update: 11/03/2025