Aqui, dois exemplos nos quais o Jornal GGN foi vítima, de ações visando impedir o exercício do jornalismo.

Caso 1 – o caso Zona Azul da prefeitura de São Paulo

Na gestão Mário Covas Neto, a prefeitura de São Paulo montou uma licitação de cartas marcadas para a Zona Azul. Incluiu no preço apenas a receita proveniente da venda de cartões, não o acesso ao banco de dados de 3,5 milhões de CPFs – muito mais valioso. E definiu pagamentos à vista da outorga, contrariando os modelos de concessão, que exigem pagamento ao longo do contrato.

Com isso, restringiu a licitação a uma empresa apenas: a Estapar, controlada por André Esteves, presidente do BTG Pactual.

O departamento técnico do Tribunal de Contas do Município alertou para os perigos desse modelo para as contas públicas. O então presidente do TCM, João Antonio, devolveu o edital ao secretário das Finanças da Prefeitura, Mauro Ricardo. Foram feitos ajustes considerados insuficientes. Submetido ao TCM, surpreendentemente houve mudança no voto do relator Edson Simões e do presidente do TCM, João Antonio. Com o voto de Domingos Disseli, formou-se maioria para ignorar as recomendações da própria área técnica do tribunal.

Denunciamos a manobra aqui no GGN. Logo em seguida fomos surpreendidos por uma série de ações, censurando as reportagens e exigindo indenizações. O presidente do BTG é Nelson Jobim, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal.

9 reportagens foram censuradas.

No entanto, o Ministério Público Estadual agiu rapidamente com uma ação civil pública contra o prefeito Mário Covas Jr., Edson Caram, Secretário Municipal de Mobilidade e Transportes, e Mauro Ricardo Costa, Secretário de Governo Municipal.

A ação foi proposta por André Pascoal da Silva, 1º Promotor de Justiça do Patrimônio Público e Social.

Em seguida, a promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital, através da promotora de Justiça Joana Franklin de Araujo, obteve decisão favorável suspendendo o edital.

Na justificativa foi dito que: “Em inquérito civil, foi apurado que o edital para a concessão do serviço possui diversas irregularidades e ilegalidades que colocam em risco o patrimônio público e social. A promotoria já havia expedido recomendação para suspender o edital”.

Calou-se o GGN, ao mesmo tempo em que a ação do MPE encalhava no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Dias atrás, o MPE solicitou à Justiça que proceda ao julgamento da ação que pede a suspensão do processo de licitação, para evitar prescrição. Na ação, mostra-se que a Prefeitura terá uma receita de R$ 994 milhões, contra uma receita de R$2,4 bilhões no sistema anterior.

Segundo a Folha:

Caso não seja declarada a inconstitucionalidade de tal dispositivo, existe a possibilidade concreta de cair por terra a punição por improbidade administrativa nos presentes autos em 26/10/2025, de sorte que será cabível apenas o ressarcimento dos prejuízos causados pelos demandados”, escreveu a promotora Cintia Marangoni.

Fica nítido que as ações contra o GGN visavam impedir que cumprisse com seu papel jornalísticos de alertar a opinião pública sobre ameaças ao bem público.

Caso 2 – Tabanez, o chefe de CAC

Em julho de 2021, em pleno escândalo das vacinas, o Jornal GGN conseguiu mapear a organização por trás da Davatti, no post “Xadrez para entender a história do cabo das vacinas”.

Nele se mostrava a atuação de uma tal Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (SENAH), uma organização presidida por um certo reverendo Amilton Gomes, e frequentada por Flávio Bolsonaro. Um dos membros da Senah era Carlos Alberto Rodrigues Tabanez, dono de um Clube de Caça e Tiro, que deu cursos para o grupo de militares que foi para o Haiti. 

Na época, um cabo da Policia Militar de Minas, Luiz Paulo Domingueti, que se apresentou no Ministério da Saúde oferecendo 400 milhões de vacinas da Astrazeneca. Dizia representar a distribuidora americana, Davati Medical Supply. O Estadão foi ouvir o dono da Davatia (distribuidora americana que dizia ter vacinas) e ele admitiu que a inclusão de Dominguetti foi exigência do próprio governo brasileiro. Para fazer a ponte com o governo brasileiro, Domingueti recorreu à Senah.

Tabanez conseguiu inúmeros contratos com órgãos públicos, especialmente estabelecimentos militares. No ano passado, o Estadão denunciou escândalos envolvendo o presídio de Mossoró. Tabanez abriu processos contra o jornal e contra o GGN, que republicou a matéria. Dia desses recebi intimação para uma audiência no próximo mês.

Esta semana, Tabanez foi preso pela Polícia Federal por porte de arma e pelas relações com a empresa R7 Facilities. “O grupo investigado possui dezenas de contratos vigentes com a Administração Pública, incluindo um contrato com a própria Polícia Federal, alvo desta investigação”, destaca a PF. 

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Last Update: 16/02/2025