
Acabei de saber que o procurador-geral da República atuou fortemente para que o STJ não homologasse o acordo de delação premiada firmado pelo advogado Nythalmar Dias Filho, que apontava supostas irregularidades cometidas pelo juiz Marcelo Bretas, antigo responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro, e por procuradores da força-tarefa.
Da mesma forma, João Silva irá ignorar o relatório do CNJ sobre a Lava Jato.
O grande poder no Brasil concentra-se na PGR. O Procurador-Geral da República possui poderes quase imperiais. Durante a pandemia, Aras não tomou medidas, mesmo com o relatório da CPI, que paralisou o país com um trabalho sério e bem fundamentado. Sem mencionar as diversas notícias-crime que foram ignoradas, incluindo aquelas do Conselho Federal da OAB.
Aras enfrentou a Lava Jato e protegeu Bolsonaro e os bolsonaristas. Agora, o relatório do CNJ, de maio, no qual o ministro Salomão, então corregedor, aponta possíveis crimes de peculato, corrupção e organização criminosa por parte de Moro, Deltan e a “República de Curitiba”, está parado na Procuradoria.
Não se trata de uma manifestação de um advogado: é um relatório votado e aprovado pelo plenário do CNJ, contra o voto do presidente Barroso!
E nada será feito. Repito: são os poderes imperiais do PGR.
Isso sim merece uma nota, um manifesto, uma discussão no Senado, na Câmara, no CFOAB, e uma mudança constitucional para viabilizar a Queixa Subsidiária. Afinal, neste momento pré-processual, o PGR tem mais poder do que os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal juntos.