Conselheiro de Trump é demitido após escândalo com brasileira

Paolo Zampolli, ex-enviado especial dos Estados Unidos para parcerias globais
Paolo Zampolli em evento diplomático. Foto: Reprodução

O empresário ítalo-americano Paolo Zampolli deixou o governo de Donald Trump após uma disputa interna no Departamento de Estado e acusou o vice-secretário de Estado, Christopher Landau, de vazar à imprensa emails sobre o conflito. Zampolli atuava como enviado especial dos Estados Unidos para parcerias globais.

Em entrevista à Folha, Zampolli disse que conversou pessoalmente com Trump sobre sua saída. “Conversei com o presidente e disse: ‘Senhor presidente, me desculpe, esse cara [Landau] é um vazador. Foi ele que fez isso’”, afirmou.

O Departamento de Estado confirmou o fim das funções de Zampolli, mas não detalhou as circunstâncias da decisão nem comentou a acusação contra Landau. O empresário afirmou que sua nomeação inicial, prevista para um ano, recebeu uma prorrogação de seis meses.

Ele sustentou que a saída já era esperada e declarou que pretende retomar os negócios privados. “Fiquei 18 meses e precisava encontrar outra coisa para fazer”, disse. Segundo Zampolli, Trump o incentivou a voltar ao setor empresarial porque ele não poderia receber por transações conduzidas enquanto ocupava uma função pública.

O presidente dos EUA Donald Trump. Foto: Divulgação

Mensagens reveladas pelo Politico expuseram meses de atritos entre Zampolli e Landau sobre o alcance de suas atribuições e a hierarquia no Departamento de Estado. Landau buscava restringir o enviado à diplomacia cultural, enquanto Zampolli defendia que sua nomeação direta por Trump lhe dava maior autonomia.

Em novembro de 2025, Landau determinou por email que Zampolli interrompesse atividades fora de sua função. O empresário argumentava que apenas Trump teria autoridade para retirá-lo do cargo. A discussão envolveu outros integrantes do governo e incluiu acusações de vazamentos; Landau negou responsabilidade, conforme o Politico.

Zampolli apresentou Melania Trump ao então empresário Donald Trump em 1998, em Nova York, e construiu carreira no setor de modelos antes de entrar na diplomacia. Ele assumiu em 2025 a função de enviado especial voltado à diplomacia cultural e a parcerias internacionais.

A passagem pelo governo também incluiu uma controvérsia com a ex-companheira, a modelo brasileira Amanda Ungaro, mãe de seu filho. O New York Times revelou em março que Zampolli procurou um alto funcionário do ICE durante uma disputa pela guarda do adolescente; Ungaro acabou detida em Miami e deportada ao Brasil. Ele admitiu o contato, mas negou ter tentado influenciar a detenção, enquanto o Departamento de Segurança Interna rejeitou interferência política no caso.

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