
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) escreveu “Motoboy” na mão esquerda durante sua entrevista ao Jornal Nacional, nesta sexta-feira (16), em um gesto voltado a motociclistas e trabalhadores de aplicativos.
A escolha busca aproximar Flávio de uma categoria que mantém identificação com o bolsonarismo e reúne entregadores e profissionais do transporte de passageiros por aplicativos. O segmento também representa um desafio para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa por apoio eleitoral.
Durante a sabatina, Flávio recorreu aos motoboys ao ser questionado sobre a punição dos envolvidos no 8 de Janeiro.
Flávio Bolsonaro usa a sabatina da Globo para negar a tentativa de golpe do 8 de janeiro, agindo quase como um animal virulento para cima de Lo Prete https://t.co/aSEQxUhJFx
— deok (@lauricadeok) October 17, 2026
Renata Lo Prete enumerou invasões, depredações, agressões a policiais e roubo de armas. O senador disse que os responsáveis deveriam ser punidos proporcionalmente aos crimes, mas minimizou a tentativa de golpe ao mencionar uma “senhorinha com bíblia” e vendedores na manifestação. Na sequência, desviou para Lula: “Hoje, o golpe que está acontecendo é o do atual presidente”.
Flávio acusou Lula de prejudicar motociclistas por divergências com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Alegou que o governo dificultava a autorização da faixa azul e o aval a um empréstimo para a saúde municipal por retaliação política. “Ele, por birra com o Ricardo Nunes, ele fica punindo os motoboys que merecem trabalhar dignamente”, afirmou, sem responder diretamente à pergunta sobre os ataques às sedes dos três Poderes.
A família Bolsonaro já usou palavras escritas nas mãos em entrevistas ao Jornal Nacional. Em 2018, Jair Bolsonaro exibiu “Deus”, “família” e “Brasil”; quatro anos depois, levou referências à Nicarágua, Argentina, Colômbia e Dario Messer.
Em agosto deste ano, Flávio Bolsonaro também apareceu no telejornal com “Mudança”, “Futuro” e “7/set” escritos na palma da mão. A nova mensagem remete à tentativa de dialogar diretamente com trabalhadores que usam motocicletas como fonte de renda.