O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), desafiou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a registrar sua presença na sessão desta quarta-feira (14) na qual o Senado debate a proposta de emenda Constituição (PEC) que reduz a jornada e acaba com escala 6×1
O candidato a presidente do PL voltou atrás e declarou que iria votar a favor da PEC, mas não registrou presença, assim como o seu coordenador de campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN).
“Só me chama a atenção uma questão. Eu olho para o painel do Senado e eu ainda não vejo a presença do senador e nem do coordenador de programa dele. Nós já estamos com seis horas de debate”, diz líder do governo.
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Randolfe lembrou que os dois haviam se posicionado contra a PEC e a classificou como eleitoreira.
“Dizia que era eleitoreiro aquele que mudou de posição duas semanas antes da eleição. E agora não sei se mudaram de novo de posição, mas até agora não apareceram para debater”, afirma.
Para o senador, o principal motivo das ausências é a PEC 12/2026 ou a PEC do Patrão pela qual Marinho, como autor e Flávio signatário, propõe o pagamento por hora trabalhada e livre negociação entre patrão e empregado.
O líder diz que a PEC 12 quer impedir no futuro as conquistas da redução da jornada e fim da escala 6×1.
“Como diz o poeta Cazuza: mentiras sinceras não me interessam. Não adianta o Flávio Bolsonaro ter dito, em alto bom som: ‘Eu vou votar a favor do fim da 6×1’. Mentiras sinceras não me interessam, para depois querer aprovar a PEC 12 e derrotar 6×1 se ganhar a presidência da República, porque essa é a promessa real”, observa Randolfe.
O senador Renan Filho (MDB-AL) disse que o Brasil não pode votar em Flávio Bolsonaro vendado. “Na hora em que esse país discute uma alteração constitucional fundamental para a vida do trabalho, para o mercado do trabalho e para a economia, ele sequer registrou presença para não participar da discussão”, observa.
Para ele, é preciso que o senador e candidato a presidente explique o que pensa sobre a redução da jornada. “Porque até ontem dizia que não dava certo. O que dá certo é pagar o trabalhador por hora? Mas é por hora que o trabalhador paga aluguel? É por hora que o trabalhador faz a feira? É por hora que o trabalhador anda no transporte público? Obviamente não”, diz o senador.
Por ser candidato a presidente, Renan diz que Flávio tinha a obrigação de estar na tribuna defendendo suas ideias. “O senhor tem o direito de mudar de ideia, o senhor só não pode esconder a maneira como pensa”, afirma.