A 11 dias do segundo turno da eleição presidencial, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o presidente da Argentina, Javier Milei, encontram-se nesta quarta-feira (14) em Washington. Os dois participam como convidados de honra da Official Hispanic Heritage Gala, evento privado promovido pela plataforma Latino Wall Street em conjunto com o veículo La Derecha Diario e fundado pelo estrategista digital argentino Fernando Cerimedo, atualmente preso na Bolívia.
Fontes ligadas ao ex-parlamentar afirmam que a reunião busca discutir diretrizes para a reestruturação das relações bilaterais entre Brasil e Argentina. Entre os pontos pautados estão parcerias em segurança hemisférica, reformas logísticas, a revitalização do Mercosul e o estímulo ao comércio e investimentos regionais.
Articulação externa e tensões de campanha
Com a ausência prolongada de embaixadores nas respectivas capitais, o canal entre Brasília e Buenos Aires atravessa um período de retração diplomática. A aproximação entre o ex-deputado e o mandatário argentino ocorre de forma paralela à estrutura oficial de campanha de Flávio Bolsonaro (PL), cujos assessores diretos declaram não ter participado da organização da agenda nos Estados Unidos.
A movimentação reacendeu debates internos sobre a escolha do futuro titular do Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo do PL. Embora o nome de Eduardo Bolsonaro seja cotado por alas do partido, setores moderados e aliados do agronegócio manifestam preferência por perfis de menor desgaste político. A cúpula da campanha sustenta que qualquer definição sobre cargos ocorrerá apenas após a apuração das urnas, informou a coluna de Janaína Figueiredo, no Uol.
Apreensão no corpo diplomático
A possibilidade de nomeação do ex-deputado gera apreensão entre integrantes do Ministério das Relações Exteriores. Recentemente, manifestações públicas do ex-parlamentar com críticas a diplomatas da ativa provocaram reação do Centro de Alunos do Instituto Rio Branco (CARI), que defendeu em nota a autonomia institucional do Itamaraty contra ingerências partidárias.
Simultaneamente, o Ministério das Relações Exteriores enfrenta questionamentos internos conduzidos pela Associação de Diplomatas do Brasil (ADB), que cobra a regularização de verbas indenizatórias e benefícios operacionais pendentes.
Situação jurídica e desdobramentos
Em outra frente, Eduardo Bolsonaro consta no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões com mandado expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Como o ex-deputado reside atualmente em solo norte-americano, a efetivação de eventuais medidas judiciais dependera dos trâmites formais de cooperação jurídica internacional e de processos de extradição.
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