
A coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, já classificou o fim da escala 6×1 como pauta “populista”. A PEC está na pauta do Senado para votação em primeiro turno nesta quarta (14) e o parlamentar já recuou, dizendo que vai apoiar o texto.
Em agosto, Daniella afirmou que a redução da jornada não respondia aos problemas das famílias brasileiras. “É um debate populista e inócuo na realidade atual das famílias brasileiras. O cara tem que ter liberdade para trabalhar o quanto ele quiser”, disse.
A coordenadora do plano econômico do senador também criticou a interferência estatal nas negociações trabalhistas.
“É uma ficção dizer que está se concedendo alguma coisa, enquanto quem produz não vai ter condição e vai ter um custo enorme em relação a isso. Então, o problema não é a 6 por 1. O problema é a falta de liberdade do cidadão para discutir o seu contrato com o empregador sem o Estado interferir”, prosseguiu.
Destaque para Daniella Marques, assessora econômica de Flavio, dizendo que a medida era populista https://t.co/6Nb77Hk2Zb pic.twitter.com/TiTgjzmuGs
— Jeff Nascimento (@jnascim) October 13, 2026
Flávio defende negociação direta das jornadas
Flávio mudou de posição após cobranças do presidente Lula (PT), seu adversário na disputa presidencial, para que se manifestasse sobre a proposta. “Eu estou rodando o Brasil. A maioria dos trabalhadores quer o fim da 6×1. Vou votar a favor do fim da 6×1, mas a gente defende algo ainda melhor, sempre”, afirmou o senador.
Apesar do voto favorável, Flávio alegou que empregados e empregadores devem ter liberdade para negociar a jornada de trabalho. Ele defendeu um modelo que permita a cada trabalhador organizar seus próprios horários.
O senador citou o caso de quem trabalha em casa. “Como que fica a pessoa que trabalha de home office? Isso não está definido na PEC”, afirmou ao questionar o texto em discussão no Senado.
Flávio também mencionou mães que precisam de uma rotina específica para cuidar dos filhos. “Como é que fica aquela mãe que não tem com quem deixar o seu filho, só pode trabalhar por exemplo quatro horas por dia, só pode trabalhar de manhã, ou só pode trabalhar de tarde? Vai continuar engessada a jornada dela”, acrescentou.
A CLT já prevê regras para o teletrabalho e normas voltadas a trabalhadoras gestantes e puérperas. Mesmo com as ressalvas, Flávio chamou a discussão sobre a jornada de “processo de evolução” e disse: “A gente tem que fazer com que o trabalhador tenha direito a uma folga maior sim”.