
A America-Brazil Prosperity Advancement Foundation, presidida pelo bolsonarista Paulo Figueiredo, pagou US$ 80 mil (cerca de R$ 400 mil) à empresa Checkmate Government Relations para fazer lobby junto ao governo de Donald Trump. Registros entregues ao Congresso dos Estados Unidos apontam atuação em temas de comércio, investimentos, financiamento e segurança pública entre os dois países, segundo o ICL Notícias.
A fundação contratou a empresa em maio de 2026 para tratar com o Departamento de Estado, o Departamento do Tesouro, o Departamento de Segurança Interna e o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos. O contrato começou em 15 de maio, conforme o registro inicial protocolado pela empresa no Congresso americano.
Paulo Figueiredo afirmou que a atuação diante do Escritório do Representante Comercial buscava impedir tarifas contra o Brasil. “O esforço, infelizmente, não teve êxito, razão pela qual o contrato com a Checkmate Government Relations não foi renovado”, disse. Ele não detalhou os objetivos da interlocução com os outros três órgãos.
Constituída em Delaware em 31 de janeiro de 2025, a entidade se registrou no sistema federal americano usado por organizações que buscam contratos ou recursos públicos. Figueiredo figura como presidente, e um endereço cadastrado coincide com um imóvel dele em Weston, na Flórida. A fundação declarou atividades como relações públicas, representação de mídia, doações e defesa de causas sociais.
Empresa contratada tem conselheiro ligado a Bukele e Milei
A Checkmate Government Relations mantém como conselheiro para a América Latina o lobista Damián Merlo, ex-conselheiro de política externa do presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Merlo também trabalhou na campanha do presidente argentino Javier Milei ao lado do consultor Fernando Cerimedo e declarou, em entrevista ao jornal argentino Clarín, ter vínculos com a equipe de Trump.

Cerimedo é próximo de Eduardo Bolsonaro e foi indiciado pela Polícia Federal no inquérito da trama golpista. Em 2022, ele divulgou fake news sobre as urnas eletrônicas e ajudou a alimentar o ambiente político que antecedeu os ataques golpistas do ato terrorista de 8 de Janeiro.
O protocolo do lobby ocorreu em 26 de maio de 2026, data do encontro de Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo com Trump na Casa Branca. Depois da reunião, Flávio disse que havia pedido a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas; o Departamento de Estado anunciou a medida em 28 de maio, com vigência em 5 de junho.
No relatório trimestral registrado em 17 de julho, a Checkmate declarou os US$ 80 mil recebidos pelo trabalho em nome da fundação. Charles McDowell, Nelson Freeman e Muhammad Rahim aparecem nos documentos como os lobistas que representaram a entidade.

Figueiredo negou vínculos formais ou informais da fundação com integrantes da família Bolsonaro e afirmou que nenhum político brasileiro ou americano financia ou dirige a organização. A entidade consta no cadastro federal de organizações aptas a disputar recursos públicos, mas não há documento que a relacione ao programa americano de US$ 1 milhão destinado a grupos que contestam decisões do STF.