Folha e Globo acusam Kássio Nunes Marques, presidente do TSE, de censurar campanha de Lula

Embora alinhados aos interesses do poder econômico e da direita, por vezes os jornalões se posicionam de maneira crítica a representantes desse campo. É o caso dos editoriais da Folha de S.Paulo e de O Globo desta segunda-feira (13), sobre a censura estabelecida pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, a um canal de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nesta mesma segunda-feira, aliás, o canal de WhatsApp “Exército de Lula”, comandado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), voltou a ser derrubado por ordem do magistrado, após uma série de idas e vindas no final de semana e feriado.

Ao justificar a primeira retirada do ar, Nunes Marques acatou a tese da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) de que o canal (com mais de 3,7 milhões de inscritos) estaria distribuindo notícias falsas, o que foi negado até mesmo por análise de técnicos do TSE. Na sequência, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu a decisão liminar do presidente do TSE.

O caso repercutiu como censura e como uma jogada em benefício de Flávio, considerando a proximidade entre o ministro e a família Bolsonaro e medidas anteriores a seu favor, levando os jornais a se colocarem contra a decisão.

Apesar de usar exemplos não comparáveis para justificar sua posição, o editorial da Folha pontua que a atitude do presidente do TSE é uma “extrapolação do poder de uma Justiça Eleitoral que atua com paternalismo excessivo e que, desde a última eleição presidencial, comete abusos contra a liberdade de expressão. Eleições livres exigem parcimônia do Poder Judiciário, cuja interferência na disputa deveria se limitar a um mínimo essencial. A pretensão de decidir no detalhe que informações devem ou não circular só faz aumentar percepções de parcialidade”.

O Globo, por sua vez, foi ainda mais contundente: “se é verdade que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os Tribunais Regionais Eleitorais precisam ser ágeis em suas decisões, isso não significa que devam ser açodados, muito menos que possam atropelar os trâmites regulares, sob pena não apenas de cometer injustiças, mas também de agravar a já nefasta partidarização da Justiça”, escreveu.

O jornal ainda pondera que embora possa parecer haver aparente equilíbrio entre as decisões tomadas a favor e contra um e outro candidato, “vários fatos suscitam preocupação”.

Na sequência, argumenta: “Na sexta-feira, Nunes Marques suspendeu três julgamentos no plenário virtual quando já havia maioria favorável a Lula, contra o voto do relator, ministro André Mendonça. O próprio Mendonça ordenou que a campanha de Lula deixasse de impulsionar posts dizendo que Flávio é contra o fim da escala 6×1 ou com a frase ‘Se Flávio Bolsonaro vencer, você perde’, insinuando que ele cortaria programas sociais”.

O editorial prossegue apontando ser evidente que “casos flagrantes de desinformação devem ser punidos”, lembrando ainda que Flávio também dispõe de “uma onda de conteúdos discutíveis gerados pelo influenciador e ex-candidato Pablo Marçal, que também merecem vigilância”.

O texto termina afirmando que “cabe à Justiça Eleitoral zelar pela paridade de armas na campanha e pelo cumprimento da lei eleitoral — e não se transformar em instrumento de censura em favor de um ou de outro candidato”.

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