
Milhares de pessoas ocuparam as duas faixas da orla de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (12), feriado de Nossa Senhora Aparecida, em uma grande manifestação em defesa da democracia e da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ato reuniu estudantes, trabalhadores, aposentados e famílias, mesmo sem a presença do presidente, e deu continuidade às mobilizações populares realizadas em diferentes cidades brasileiras durante o segundo turno. No domingo (11), uma multidão também havia ocupado a Avenida Paulista, em São Paulo, em uma manifestação que provocou críticas à cobertura da Globo, acusada por internautas de dedicar pouco espaço ao evento e privilegiar imagens com enquadramentos fechados.
Em Copacabana, a dimensão da mobilização chamou atenção pela extensão da concentração ao longo da orla. Segundo a Agência Brasil, participantes de diferentes gerações compareceram para manifestar apoio à reeleição de Lula e defender pautas relacionadas à democracia, à educação e aos direitos sociais. A professora aposentada Clara Davidorch, de 87 anos, participou acompanhada de duas amigas, de 85 e 82 anos. Ela afirmou que foi ao ato em homenagem às mulheres que lutaram pelo direito ao voto e pensando no futuro dos filhos e netos.
A estudante Suelen Geovana, de 25 anos, saiu de Campo Grande, na zona oeste do Rio, para participar da manifestação. Aluna de pós-graduação da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, ela contou que conseguiu ingressar no ensino superior público por meio das cotas e associou sua presença à defesa da educação, da saúde e da igualdade de oportunidades. A advogada Carolina Estrela, de 43 anos, levou os dois filhos, de 11 e 8 anos, e destacou a importância de ensinar às crianças o valor da participação política e do respeito às diferenças.
Cobertura da Globo volta a ser questionada
A manifestação no Rio ocorreu um dia depois de a Globo ser alvo de críticas nas redes sociais pela cobertura do ato realizado na Avenida Paulista. Usuários questionaram a pouca visibilidade que, segundo eles, a emissora concedeu à concentração e reclamaram da ausência de imagens capazes de mostrar toda a extensão da multidão. As críticas refletem uma cobrança por maior espaço para as manifestações populares no noticiário, embora a avaliação da cobertura dependa também da análise integral das transmissões.
Nesta segunda-feira, um novo episódio chamou atenção. Em um trecho da cobertura da GloboNews que circula nas redes sociais, uma repórter se refere à manifestação favorável a Lula como um “protesto”. A expressão provocou questionamentos porque o ato tinha como objetivo declarado apoiar a reeleição do presidente. Embora “protesto” e “manifestação” possam ser empregados como sinônimos, a escolha da palavra ganhou repercussão no contexto das críticas à cobertura dos eventos.
A Globo possui antecedentes históricos de controvérsias relacionadas à cobertura de manifestações populares. Em 1984, durante a campanha das Diretas Já, o Jornal Nacional apresentou o comício da Praça da Sé, em São Paulo, no contexto das comemorações do aniversário da cidade. A própria emissora reconhece que Roberto Marinho havia determinado que os primeiros atos pelas eleições diretas recebessem cobertura apenas nos telejornais locais, por receio dos efeitos políticos de sua divulgação nacional.
Os acontecimentos de 1984 e 2026 têm contextos diferentes, e não há elementos suficientes para afirmar que exista atualmente uma orientação deliberada para reduzir a visibilidade dos atos. Ainda assim, a memória daquele episódio ajuda a compreender a atenção dedicada pelo público às escolhas editoriais da emissora.
Mobilizações ganham força no segundo turno
As manifestações em São Paulo e no Rio de Janeiro acontecem em um cenário de disputa presidencial apertada. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Desde então, atos organizados por movimentos sociais, estudantes e apoiadores do presidente vêm ocorrendo em diferentes regiões do país.
Além de Copacabana, estavam previstas mobilizações nesta segunda-feira em Niterói, na Quinta da Boa Vista, nos Arcos da Lapa e em Nilópolis.
A presença de milhares de pessoas nas ruas não permite, por si só, antecipar resultados eleitorais. Mas evidencia a capacidade de mobilização de setores da sociedade que decidiram participar ativamente da disputa política.
Em Copacabana, a mensagem expressa pelos manifestantes foi de apoio à continuidade do governo Lula e de defesa da democracia. A dimensão dessa mobilização constitui, por si só, um fato jornalístico relevante, independentemente das disputas em torno de sua cobertura televisiva.
Hoje foi a vez do povo carioca lotar a praia de Copacabana para dizer que estamos virando o jogo contra o retrocesso. O povo está nas ruas porque já entendeu que, se Flávio ganha, o Brasil perde! Não vamos parar até reeleger LULA 13 no dia 25. BORA PRA CIMA! https://t.co/RNZ9mSkhC7
— Jandira Feghali (@jandira_feghali) October 13, 2026
La playa de Copacabana se pintó de rojo este lunes. A menos de dos semanas de la segunda vuelta, los actos en apoyo a la reelección de Lula da Silva se realizan a diario.
Video: Luiza Figueiredo https://t.co/TetA64bR2e
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— André Vieira (@AndreteleSUR) October 12, 2026
Copacabana, 12 de outubro de 2026.
Que coisa linda, cara. Bora lula! 🚩⭐ https://t.co/mIPw76wArU
— Lanzin (@soulanzin) October 12, 2026
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