
O secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Markwayne Mullin, defendeu a transmissão ao vivo da execução do militar Nidal Hasan, condenado à morte pelo assassinato de 13 pessoas na base de Fort Hood, no Texas, em 2009. Em entrevista à CBS News neste domingo (11), ele minimizou as críticas ao plano do governo americano.
“Acho que as pessoas precisam entender… se você atacar os Estados Unidos, iremos atrás de você e garantiremos que a punição seja proporcional ao crime”, afirmou Mullin no programa “Face the Nation”. Ao ser questionado sobre a exibição da execução, acrescentou: “Ninguém é obrigado a assistir se não quiser”.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, havia anunciado na quinta-feira que a execução seria aberta ao público. Em seguida, o Pentágono confirmou que o fuzilamento também teria transmissão ao vivo.
Hasan está preso em Fort Leavenworth, no Kansas, penitenciária militar de segurança máxima destinada a condenados à morte. Se ocorrer, a execução será a primeira conduzida pela Justiça militar dos EUA desde 1961 e a primeira por pelotão de fuzilamento desde a Segunda Guerra Mundial.

ONU classifica transmissão ao vivo como forma de tortura
O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos condenou o plano e afirmou que a transmissão equivaleria a uma execução pública. O órgão apontou violação à proibição absoluta de tortura e de tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.
“Como o Alto Comissariado ressaltou em reação às execuções públicas no Afeganistão e no Irã, as execuções públicas constituem uma forma de tratamento ou pena cruel, desumano e degradante”, declarou o escritório da ONU à AFP. “A transmissão ao vivo de uma execução equivale a uma execução pública e violaria a proibição absoluta da tortura”.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, chamou a proposta de “abominável sob muitos aspectos” em entrevista ao podcast “The Rest Is Politics” e disse que “jamais apoiaria uma medida” desse tipo. O vice-presidente americano, JD Vance, manifestou dúvidas sobre a efetivação do plano e afirmou que não assistiria à transmissão, caso ela ocorra.
Hasan matou 13 pessoas após entrar armado na base de Fort Hood. Ele justificou o ataque como uma jihad contra as “guerras ilegais e imorais no Afeganistão e no Iraque”. Mullin afirmou não considerar “um risco elevado neste momento” que a transmissão possa transformá-lo em mártir.