Os movimentos surgidos recentemente na Europa, desde a Alemanha, passando pela França e, sobretudo, na Espanha, mostram uma juventude que se levanta em poderosas ondas de rua contra o “sistema”. A Europa está ardendo. Junto com a juventude, massas inteiras da população saíram às ruas e não voltam para suas casas, exigindo mudanças. É uma onda mundial de resistência. É preciso prestar muita atenção à rua, porque a energia da rua pode incidir decisivamente na situação.
Parece que estamos assistindo a um movimento histórico pendular, no qual a tendência à direita de anos atrás atingiu um ponto e agora começa uma contra tendência cia sua guinada em direção à esquerda.
No Brasil, milhares e milhares de jovens despertaram para a vida política em favor de Lula. Durante a campanha eu percebi um movimento crescente, apesar da apatia em geral, um movimento gradativo da juventude se aproximando das banquinhas de campanha para pegar adesivos com palavras de ordem, panfletos bandeiras e todo tipo de material de campanha em uma dinâmica em processo de crescimento. O despertar da juventude brasileira dá fôlego às esperanças de virada no Segundo Turno para derrotar Bolsonaro. Claro que não podemos dizer por enquanto, a poucos dias do Primeiro Turno, que tudo está ganho.
Mas dezenas de milhares de jovens de todo o país, de norte a sul, a juventude se tornou lulista (um idoso de 81 anos). Algo verdadeiramente fenomenal. Não se ganhou nada, mas a juventude se levantou para lutar.
A seguir, observamos as dinâmicas em relação à guinada histórica, o panorama latino-americano e a mobilização nos Estados Unidos:
O movimento “No Kings” nos Estados Unidos marca um marco relevante dentro do ativismo civil e da defesa democrática.
Natureza da mobilização: Sob o lema “No Kings” (Sem Reis), as jornadas de ação nacional coordenam diversas organizações civis para se manifestarem contra o autoritarismo, a concentração de poder e os retrocessos nos direitos civis.
Há uma busca não elaborada por um instrumento político. Nos anos 30, houve uma radicalização de um setor da classe operária e eles constituíram a CIOLS. O de hoje não é um movimento surgido das fábricas, mas se cristalizou nos Socialistas Democráticos da América e na fração progressista dentro do Partido Democrata.
Isso não quer dizer que não haja trabalhadores no movimento de massas NO KINGS. O fato de este movimento não surgir de um movimento de greve também não significa que não tenha havido greves durante este período. É um movimento que surge da resistência ao autoritarismo de Trump.
De fato, a mobilização de resistência às políticas autoritárias do governo Trump, em particular contra as atividades dos paramilitares do ICE, que irrompeu no cenário nacional com o levante dos mexicano-americanos no final de maio e durante as primeiras semanas de junho do ano de 2025, continuou em 14 de junho de 2025 com a primeira jornada nacional, convocada massivamente após a militarização de algumas cidades e contra as batidas de imigração. Foram contabilizados mais de 2.100 eventos em todo o país, com uma participação estimada de 5 milhões de pessoas.
A Segunda convocação foi realizada em 18 de outubro de 2025, a qual se tornou uma das maiores manifestações de um único dia registradas na história dos EUA, somando mais de 7 milhões de manifestantes que usaram roupas amarelas como símbolo do movimento.
Depois, 28 de março de 2026:
Terceira jornada nacional. Organizada com mais de 3.000 eventos coordenados de costa a costa, com um foco renovado na greve comunitária e na participação cívica massiva.
A convocação é liderada pela rede” Indivisible “ junto com sindicatos, organizações de direitos civis e movimentos de ação comunitária local.
Locais e alcance: Preveem-se milhares de atividades simultâneas ao longo de todos os estados do país (incluindo eventos-chave em Washington D.C., Nova York, Filadélfia e Chicago, além de dezenas de eventos em áreas suburbanas e rurais).
Formato das atividades:
Marchas e concentrações em praças públicas.
Caminhadas comunitárias em direção aos centros de votação antecipada.
Mesas de apoio para registro de eleitores e planejamento do voto.
Atividades internacionais relacionadas: Em alguns países europeus e no Reino Unido, organizam-se atos solidários de apoio para cidadãos americanos no exterior sob o nome paralelo No Tyrants.
A guinada do pêndulo político e a juventude na Europa
Durante a última década, a Europa experimentou uma acentuada mudança em direção a forças conservadoras e de extrema-direita. No entanto, os ciclos de protesto recentes evidenciam um descontentamento estruturado catalisador pela juventude.
As mobilizações concentram um renovado sentimento anticapitalista e contra a crise do custo de vida: os movimentos juvenis em países como Espanha, França e Alemanha deslocaram o foco de demandas exclusivamente institucionais para críticas diretas às dinâmicas do mercado, ao acesso à habitação, à precariedade laboral e à justiça climática.
A permanência das massas nas ruas reflete uma perda de legitimidade dos partidos tradicionais e uma busca por um contrapoder popular diante das políticas de austeridade.
O fenômeno sociopolítico no Brasil
O comportamento da juventude brasileira representa um fenômeno de reorganização da esquerda e de defesa democrática.
O alinhamento das novas gerações com lideranças históricas (como a de Lula) mostra uma busca por manter as conquistas de políticas públicas do período Lula e proteção de direitos sociais diante dos modelos autoritários ou de extrema-direita.
A ativação do ativismo territorial —por meio de panfletagem, mobilização comunitária e presença massiva nas redes e nas ruas opera como o motor estratégico fundamental em cenários eleitorais polarizados.
O inédito e maravilhosa adesão dos “Fandoms” (fãs clubes de artistas populares mundiais), uma legião de artistas populares brasileiros militando diuturnamente para Lula. São fatos que se somam a esta onda de resistência mundial.
Os processos na Europa, América Latina e Estados Unidos sugerem que, embora a direita tenha consolidado espaços institucionais em anos recentes, a rua se reconfirma como o cenário primário de disputa, onde a juventude atua como o principal catalisador de mudança sociopolítica.
Na última década, a Europa deu uma guinada forte para o conservadorismo e a extrema-direita. Só que os protestos recentes mostram que a juventude, mais uma vez na história se coloca como uma robusta linha de resistência desse modelo estrutural.
As manifestações trazem de volta um sentimento anticapitalista pesado e uma revolta contra a crise do custo de vida. Em países como Espanha, França e Alemanha, os jovens pararam de pedir só reforma política de gabinete e foram criticar direto as regras do mercado, a falta de moradia acessível, o trampo precário e a crise climática. A tomada das ruas em enfrentamentos de massa, também é uma demonstração que os partidos tradicionais perderam força e que o povo está busca criar formas alternativas são sinais, ainda que embrionariamente de reorganização.
O que acontece hoje na Europa, na América Latina e nos Estados Unidos deixa uma lição clara: embora a direita tenha consolidado espaços institucionais nos últimos anos, “as ruas” reafirma seu papel como o palco principal de disputa, onde a juventude atua como o grande motor da Resistência e mudanças.
PS: Escrevi essas reflexões no dia anterior ao grande ato de amanhã na Av. Paulista em São Paulo e foi confirmada a presença de Lula. Todas evidências mostram que pode ser gigante. Vamos a luta para virar!