Cotado por Flávio ao STF ajudou Bolsonaro a difundir livro de Ustra

Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e Jorge Oliveira em cerimônia no Palácio do Planalto
O ex-presidente Jair Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jorge Oliveira. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jorge Oliveira, apontado como um dos cotados para o Supremo Tribunal Federal (STF) em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), comprava exemplares de “A Verdade Sufocada”, livro de memórias do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, para distribuição entre apoiadores de Jair Bolsonaro. Com informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo.

Oliveira atuava como enviado de Bolsonaro nas compras feitas na casa de Joseíta Ustra, viúva do coronel, em Brasília. O relato foi dado por ela ao jornalista Fabio Victor e integra o livro “Poder Camuflado”.

Major da reserva da Polícia Militar, Jorge Oliveira comandou a Secretaria-Geral da Presidência entre 2019 e 2020, no governo Jair Bolsonaro. Depois, foi indicado pelo então presidente para uma vaga no TCU.

O ministro também tem vínculos familiares antigos com Bolsonaro. Seu pai, o capitão do Exército Jorge Francisco, morto em 2018, trabalhou por mais de duas décadas no gabinete do ex-presidente quando ele era deputado federal.

Ustra
O ex-presidente Jair Bolsonaro mostra o livro “A Verdade Sufocada” de Ustra durante sessão na Câmara dos Deputados. Foto: Reprodução

Durante a campanha presidencial de 2018, Bolsonaro dizia que “A Verdade Sufocada” era seu livro de cabeceira. A obra apresenta a versão de Ustra sobre a ditadura militar e defende sua atuação na repressão.

Bolsonaro comprava lotes de exemplares diretamente de Joseíta para repassá-los a aliados e apoiadores. Ela revisou e coeditou o livro do marido e, durante anos, foi responsável pela distribuição da publicação.

Joseíta relatou que, certa vez, tentou presentear Bolsonaro com caixas de livros, mas ele recusou a oferta. Segundo ela, o então candidato devolveu o material por meio de Jorge Oliveira e insistiu em pagar pelos exemplares.

Ustra comandou o DOI-Codi do 2º Exército, em São Paulo, de setembro de 1970 a janeiro de 1974, e foi reconhecido pela Justiça como torturador. Bolsonaro o homenageou no voto favorável à abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, em 2016.

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