Flávio Bolsonaro flerta com a ditadura e já fala em governar “por décadas”

Adolf Hitler previu que o 3º Reich duraria mil anos. Para Benito Mussolini, o século 20 seria “o século do fascismo”. António de Oliveira Salazar vislumbrou o Estado Novo no poder “enquanto Portugal existisse”. Já Francisco Franco garantiu que o Movimento Nacional espanhol se estenderia “por séculos”.

Perto dos grandes ditadores do século passado, o candidato a presidente – e pré-candidato a ditador – Flávio Bolsonaro é um homem modesto. “Para desespero deles (da esquerda), vai ser, sim, o fim da era Lula – e a gente vai ficar por décadas no poder”, afirmou Flávio nesta sexta-feira (7), em reunião com a bancada do PL eleita para o Congresso Nacional.

Os ditadores do passado gostavam de mandar e desmandar até a morte, sem alternância no poder. Flávio dá a entender que prefere uma fórmula mais parecida com a da ditadura militar brasileira, em que os presidentes tinham mandatos fixos. Mudava-se o general-ditador de plantão, mas preservava-se o regime autoritário.

É por isso que, entre suas propostas de mudanças na Constituição para “redemocratizar esse país”, está o fim da reeleição. A dinastia bolsonarista precisa de uma aparência democrática. Caso vença o presidente Lula e chegue ao Planalto, Flávio vai indultar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista.

Ao dizer que o bolsonarismo “vai ficar por décadas no poder”, Flávio flerta com a ditadura e já concebe uma sucessão em família. Jair Bolsonaro continua a ser o patriarca do clã, e o filho promete estar ao lado do pai o mais cedo possível – “ele vai subir aquela rampa junto comigo”. A ideia é fazer de Jair Bolsonaro ministro de Estado no próximo governo e presidente em seguida.

O PL terá uma bancada expressiva no próximo Congresso, mas não dispõe sozinho dos três quintos exigidos em cada Casa – a Câmara dos Deputados e o Senado – para alterar a Constituição. A voracidade de poder do bolsonarismo pode afastar aliados – por um governo ou “por décadas”.

Flávio quer tentar “por dentro”, a partir de 2027, o que a extrema direita não conseguiu “por fora”, em 8 de janeiro de 2023: usar a Presidência da República e outros Poderes para instalar um governo autoritário, conservador e longevo. A data em que se inicia a luta contra esse projeto de nova ditadura não é 1º de janeiro de 2027, mas, sim, 25 de outubro de 2026. Reeleger Lula e derrotar Flávio é o caminho mais rápido e seguro contra a ameaça bolsonarista.

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