Jandira pede que STF torne pública relação de Flávio Bolsonaro com dinheiro do Dark Horse

A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) protocolou nesta segunda-feira (5), em Brasília, petição ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, para que sejam tornados públicos de imediato os dados, as provas e as apurações do caso Dark Horse. A parlamentar, reeleita no domingo (4) para o nono mandato, sustenta que a gravidade dos fatos e o interesse público impedem que o eleitor chegue ao segundo turno sem saber o que a Polícia Federal já reuniu sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro.

“Flávio Bolsonaro é o único candidato nestas eleições presidenciais investigado por suspeita de diversos crimes: lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e organização criminosa. Entretanto, mesmo com o levantamento do sigilo, ainda não foram tornadas públicas pelo ministro André Mendonça as apurações que tratam do envolvimento de Flávio e de Daniel Vorcaro no financiamento do Dark Horse. E a sociedade brasileira tem o direito de saber antes de fazer sua escolha no segundo turno”, afirma a petição.

Investigação formal no STF

Em 22 de julho, Mendonça autorizou a abertura de procedimento contra Flávio, no âmbito da Operação Compliance Zero, a pedido da PF e com anuência da Procuradoria-Geral da República.

O pedido policial, segunda a Agência Brasil, mira a “possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos” no financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro junto ao Banco Master. A existência da apuração só veio a público em 10 de setembro, quando Fachin cobrou transparência e Mendonça levantou o sigilo de parte dos autos. O núcleo sobre Dark Horse permaneceu reservado.

Relatórios e mensagens da PF

O que já vazou dos relatórios da PF basta para desmontar a tese do “patrocínio privado” inofensivo. Os investigadores tratam Flávio como interlocutor direto de Vorcaro, não como terceiro citado por intermediários. Em 20 de agosto de 2025, o senador confirma que está “a caminho” de um encontro. Em 8 de setembro, cobra parcelas atrasadas e fala em risco de calote com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.

Em 16 de setembro, Flávio Bolsonaro liga para o banqueiro no mesmo dia em que a Entre Investimentos remete US$ 1,66 milhão ao fundo Havengate, no Texas. Em 22 de outubro, avisa que a produção está “no limite”. Em 16 de novembro, véspera da prisão de Vorcaro em Guarulhos, escreve: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”.

Montante e desdobramentos

O acordo apontado pela PF gira em torno de US$ 24 milhões. Cerca de US$ 12,3 milhões teriam sido efetivamente enviados ao Havengate, administrado por Paulo Calixto, advogado próximo de Eduardo Bolsonaro, também alvo da apuração. Os áudios originais foram publicados em maio pelo Intercept Brasil. Flávio negou a relação e depois admitiu as mensagens, chamando o repasse de patrocínio privado. À BBC, despistou e disse que o tema está “mais que esclarecido”.

Vorcaro responde, na Compliance Zero, por uma das maiores fraudes financeiras da história do país, na formulação do próprio Mendonça. A suspeita, segundo a BBC, chega a R$ 12 bilhões no sistema financeiro. O eleitor ainda não viu o inteiro teor da apuração que liga esse dinheiro ao filme do clã. É isso que a petição de Jandira cobrou que seja divulgado antes d votação do segundo turno.

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