
O presidente Lula (PT) precisa “vencer Lula” para virar o segundo turno contra Flávio Bolsonaro, avalia Leonardo Sakamoto. Em análise no UOL News desta segunda-feira (5), o colunista afirma que a campanha deve oferecer uma ideia de futuro e superar o peso da comparação de biografias, enquanto o adversário se apresenta como a opção de mudança.
A campanha do senador Flávio Bolsonaro tem sido bem sucedida porque é a campanha do ‘olha, quer tirar o homem, vota em mim. Eu sou a mudança’. Repito: mudança para onde? Quem sabe, pode ser para pior, mas ele está tentando incorporar a ideia de mudança. Uma campanha eleitoral vem em cima de ideias e as pessoas têm que encarná-las.
Lula estava encarnando o quê? Ele não conseguia passar essa ideia. Tanto é que a campanha do Lula, em muito, era uma comparação de biografias. O povão não está interessado na ‘turnê de despedida’ do presidente Lula. Ele estava querendo saber o que o Lula está oferecendo de diferença. Não é a biografia, não é comparar ele com ele só. Isso é importante, mas não pode ser a base da campanha.
De um lado da campanha está o Lula; do outro lado, o ‘anti-Lula’. Eles não estão muito preocupados em apresentar propostas, mas em se apresentar como o ‘anti-Lula’: ‘Você quer tirar o cara? Vota em mim’.

Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert
A campanha do Lula e o PT acham que basta memória afetiva das pessoas. Não basta. A internet não é ferramenta técnica de transmissão de mensagens.
Ela tem um contexto antropológico de mediação de vida, de construção de valores, de símbolos. Então a comunicação precisa mudar. O problema é que não vai mudar na velocidade de uma eleição.
A esta altura do campeonato, o presidente Lula fazer um movimento indicando o Alckmin vai ser visto pelo mercado como pouca coisa. Se ele está querendo uma sinalização para o mercado, de uma maneira geral, ele terá que ir um pouco além do que isso.