Bolsonarista manda entregar petistas ao ICE nos EUA: “Já fiz minha parte”

Post do bolsonarista Lucas Bibe sobre denuncia de petistas ao ICE – Foto: Reprodução

O bolsonarista Lucas Bibe publicou neste domingo (4), dia do primeiro turno das eleições brasileiras, uma mensagem incentivando seguidores a denunciar ao Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) petistas que vivem no país, especialmente aqueles que estariam em situação migratória irregular.

“Conhece algum petista que mora fora do Brasil, principalmente os que moram ilegalmente, em destaque nos USA, denuncie ao ICE, segue link para denúncia”, escreveu Bibe. Na mesma publicação, ele acrescentou: “Eu já fiz minha parte!!!”.

O bolsonarista incluiu no story o endereço do formulário oficial de denúncias do ICE. A convocação foi feita justamente no dia em que brasileiros residentes no exterior participam da eleição presidencial e tem como alvo um grupo definido por sua posição política.

Oficiais do ICE – Foto: Divulgação/Serviço de Imigração e Fronteira dos EUA

A publicação não apresenta nomes nem provas de que as pessoas que Bibe pretende atingir estejam em situação migratória irregular. O critério político aparece explicitamente na mensagem: ele pede aos seguidores que procurem “petistas” residentes no exterior e os denunciem às autoridades americanas.

O chamado ocorre em meio à expansão das operações migratórias nos Estados Unidos durante o segundo governo de Donald Trump. Dados oficiais analisados pela Reuters mostram que o ICE realizou quase 51 mil prisões em agosto, terceiro recorde mensal consecutivo. Mais de três quartos dos presos recentemente não tinham condenação criminal.

A atuação dos agentes também é alvo de denúncias de violações de direitos civis. Um levantamento da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), baseado em mais de 1.200 episódios de fiscalização migratória em oito estados, identificou suspeitas de má conduta em mais de 400 casos, incluindo relatos de uso excessivo da força, intimidação e perfilamento racial.

A Human Rights Watch contabilizou ainda 52 mortes sob custódia do ICE entre janeiro de 2025 e junho de 2026. Segundo a organização, a taxa de mortalidade mais que dobrou desde o início do segundo mandato de Trump e chegou ao maior nível registrado em mais de uma década.

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