
Flávio Bolsonaro (PL) escolheu uma região marcada pela atuação de milícias, facções e bicheiros para encerrar a campanha do primeiro turno. No sábado (3), o candidato à Presidência percorreu cerca de 11 quilômetros entre Campo Grande e Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro, em uma motocarreata que terminou na Praça da Fé. Sob chuva, deixou o local sem discursar. Com informações do UOL.
O trajeto atravessou uma área que enfrenta há anos conflitos e alianças entre grupos criminosos. Campo Grande e Bangu registram atuação de milícias e das facções Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro e Amigo dos Amigos, além da presença histórica de integrantes do jogo do bicho.
Nesse cenário, o Comando Vermelho busca avançar sobre áreas controladas por milicianos em Campo Grande. Parte das milícias mantém alianças com o Terceiro Comando Puro para conter essa expansão. As disputas mostram que o território atravessado pela carreata reúne diferentes grupos e áreas de influência.
Flávio Bolsonaro pediu voto aos eleitores na manhã deste domingo (4), em entrevista logo depois de votar. Esse ato pode ser enquadrado como crime eleitoral de boca de urna. O artigo 39 da Lei das Eleições define como crime a boca de urna e a arregimentação de eleitores nesse dia.
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— Mídia NINJA (@MidiaNINJA) October 4, 2026
Bangu também está historicamente ligada ao jogo do bicho e à família Andrade. Rogério de Andrade, sobrinho de Castor de Andrade e apontado em investigações como figura influente da contravenção no estado, está preso desde outubro de 2024.
Durante a campanha, Flávio prometeu classificar facções e milícias como organizações terroristas, seguindo o modelo dos Estados Unidos. Seu último ato antes da votação ocorreu justamente em uma região onde a atuação desses grupos marca a vida dos moradores.
A motocarreata começou nas proximidades da Estrada da Posse, em Campo Grande, e durou quase duas horas. Flávio acenou para apoiadores e cabos eleitorais, acompanhado de Douglas Ruas (PL), candidato ao governo fluminense, e dos candidatos ao Senado Carlos Jordy e Carlos Portinho.
Ruas foi o único a falar no carro de som antes da saída e, na chegada a Bangu, pediu votos para uma vitória de Flávio no primeiro turno. O presidenciável deixou a praça pouco depois, enquanto os demais candidatos permaneceram com os apoiadores.