Glenn Greenwald acusa STF de favorecer Lula em posts para público estrangeiro

Glenn Greenwald
Glenn Greenwald. Foto: Reprodução

O jornalista Glenn Greenwald publicou mensagens em inglês, nas vésperas do primeiro turno, para apresentar a eleição brasileira ao público estrangeiro como um processo supostamente manipulado pelo Judiciário em favor do presidente Lula. Em uma sequência de posts no X, ele afirmou que uma ala “pró-Lula” do Supremo Tribunal Federal atuaria contra uma eleição livre. Com informações do “Noites Húngaras“, do jornalista Paulo Motoryn.

Greenwald estimou em 50% a chance de a candidatura de Flávio Bolsonaro sofrer impedimento ou de o resultado ser anulado caso o candidato derrotasse Lula ou se encaminhasse para a vitória. O jornalista não apresentou evidências para sustentar a previsão. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro ao STF, afirmou não haver motivo para alarme até então.

As mensagens alcançaram centenas de milhares de visualizações poucas horas após a publicação. Escritas para uma audiência internacional, elas ampliaram críticas a decisões específicas do Judiciário e passaram a atribuir aos magistrados uma ação deliberada para assegurar a reeleição de Lula.

Greenwald também associou a suspensão temporária dos serviços da embaixada e dos consulados dos Estados Unidos no Brasil a alertas sobre uma possível interferência do governo Donald Trump na eleição. A Austrália adotou medida semelhante, citando preocupações de segurança.

PF não confirmou suspeitas sobre ataques a instalações americanas

Publicação de Glenn Greenwald em inglês no X
Publicação de Glenn Greenwald no X traduzida para o português sobre a eleição brasileira. Foto: Reprodução

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca em São Paulo e no entorno do Distrito Federal para investigar um suposto planejamento de atos contra instalações diplomáticas americanas. A corporação informou que a apuração surgiu a partir de cooperação com agências de inteligência estrangeiras.

Após as diligências, a PF declarou que não encontrou elementos que confirmassem os riscos inicialmente apontados nem identificou envolvidos ligados a organizações criminosas. A investigação continuava em andamento, mas esse resultado recebeu menos destaque nas publicações de Greenwald sobre o fechamento temporário das representações diplomáticas.

Publicação de Glenn Greenwald no X traduzida para o português sobre a eleição brasileira. Foto: Reprodução

O jornalista também tratou o cancelamento do debate presidencial da TV Globo como consequência de “censura” contra Flávio Bolsonaro. Lula já havia decidido não participar do programa e conceder entrevista ao Flow, enquanto decisões judiciais mudaram regras do encontro, entre elas a proibição de exibir o púlpito vazio do presidente. Flávio anunciou que também faltaria, e a emissora cancelou o debate.

Greenwald ganhou projeção no Brasil com as reportagens da Vaza Jato, publicadas pelo Intercept Brasil a partir de mensagens que lançaram dúvidas sobre a imparcialidade de Sergio Moro e a relação do então juiz com procuradores da Lava Jato. Depois de deixar o veículo em 2020, ele passou a circular com frequência em espaços conservadores dos Estados Unidos e a sustentar ataques ao que chama de “regime de censura”.

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