
O cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest, protagonizou neste sábado (3), na GloboNews, uma tentativa particularmente criativa de explicar os números da última pesquisa de seu instituto antes da eleição.
Segundo ele, levantamentos qualitativos teriam identificado um efeito das decisões judiciais envolvendo o debate da Globo, que teria impulsionado o voto útil em Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Ou seja: o eleitorado teria punido Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por não participar daquele circo e migrado para Flávio. Dona Maria ficou chateada com o TSE e o STF e sobrou para o presidente. Para provar essa tese estúpida, Nunes torturou os números até eles confessarem aquilo que os patrões gostariam de ouvir.
Não tem pé ne cabeça. Antes da decisão que incluiu Renan Santos (Missão) no debate, o ministro Kassio Nunes Marques já havia interferido judicialmente nas regras para garantir a participação de Romeu Zema (Novo). Não houve, naquele momento, uma reação comparável à que se viu posteriormente. Em outra decisão, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada da cadeira vazia do púlpito.
A situação mudou quando o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu pedido de Renan e determinou sua inclusão. Flávio então anunciou a desistência. Ou seja: se a ausência em um confronto televisivo produz automaticamente punição eleitoral, como sugere a interpretação apresentada por Nunes para Lula, seria necessário explicar por que a mesma lógica não atingiria Flávio.
Nem os colegas de programa engoliram a patacoada, como se vê na face torturada de Julia Duailibi e Flávia Oliveira.
A reação dos comentaristas da GloboNews pro Felipe Nunes da Quaest!
Hahahahahahahahha! 😂 #GloboNews #CentralDasEleições#Eleições2026 🇧🇷 pic.twitter.com/WLeRXhgp2u
— Luiz Ricardo (@excentricko) October 4, 2026
Há outro elemento muito mais concreto para explicar por que a rodada da Quaest destoou das demais pesquisas divulgadas hoje. O instituto passou a utilizar uma nova metodologia para estimar os votos válidos, incorporando o perfil de comparecimento dos entrevistados.
Pelo modelo conhecido como likely voter, a Quaest não considera apenas a intenção declarada de voto. O instituto também estima quais eleitores apresentam maior probabilidade de efetivamente comparecer às urnas. O procedimento pode ser metodologicamente defensável, mas produz uma medida diferente daquela utilizada nas rodadas anteriores. Portanto, a comparação direta exige cautela.
Sob esse modelo, Lula aparece com 46% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro com 45%. A diferença estoou das outras pesquisas divulgadas neste sábado. CNT/MDA, Datafolha e Atlas apresentaram cenários entre razoáveis e favoráveis a Lula. A Quaest foi a exceção.
Nunes é um puxa-saco e confunde análise eleitoral com manipulação. Quando o pesquisador precisa espremer os dados para dar alegria de Merval Pereira e quejandos, é porque seus serviços valem tanto quanto um pastel de vento.