
“A partir de agora, se me prenderem, eu viro herói. Se me matarem, viro mártir. E, se me deixarem solto, viro presidente de novo.” Lula, março de 2016
Estamos prestes a participar das eleições que podem, efetivamente, mudar a história do país. Moro em Brasília há 50 anos. Nesse tempo, advoguei para quatro presidentes da República e, de certa forma, ajudei, com reuniões e conselhos, um quinto presidente. Eu nunca estive, em todo esse período, no Palácio do Planalto. Nunca entrei no Palácio do Planalto, sequer para conhecê-lo ou visitá-lo. Ou seja, não sou um homem dado a bajular o poder nem a frequentar palácios.
Advoguei para mais de 90 governadores de estado em procedimentos criminais e nunca firmei contrato com nenhum estado da Federação nem com qualquer órgão público ligado a eles. Advoguei para dezenas de ministros, senadores e deputados, e nenhum deles jamais me indicou um cliente público. Tenho uma advocacia respeitada e estabelecida. De cada 20 clientes que procuram o meu escritório, aceitamos advogar para um, depois de analisar a viabilidade de uma boa defesa técnica.
O que a advocacia me deu de melhor foi ter voz e ser ouvido. Digo tudo isso não para me jactar, mas para deixar claro que vou votar no Lula e no Alckmin não por mim nem por qualquer interesse pessoal. Vou votar pelo Brasil. Pelas pessoas que eu amo. Contra a milícia. Contra o fascismo. Pela democracia.
Nunca foi tão importante fazer uma comparação entre os grupos que estão na disputa pelo governo e analisar qual deles pode colocar em risco a estabilidade democrática.
O Brasil inteiro sabe, ou deveria saber, que os Bolsonaro são ligados à milícia, sabujos de Trump e não têm nenhuma preocupação com os direitos humanos nem com os invisíveis sociais. Ainda assim, resistem como vermes que se fortalecem ao se acostumarem ao esgoto, seu habitat natural.
Sem ser dono da verdade, quedo-me perplexo, sem entender a alma humana, e me vejo perguntando: como uma mulher vota em um machista e misógino? Como alguém LGBTQIA+ vota em um homofóbico? Como um negro vota em um racista? Como um idoso vota em um etarista? Como alguém que tem alguma situação especial vota em um capacitista? Como alguém acima do peso vota em um gordofóbico? Como um pobre vota em quem tem aversão aos invisíveis sociais? São muitas as perguntas sem resposta.

Chegamos à eleição com uma clara tentativa de interferência dos EUA no Brasil. A embaixada e os consulados estadunidenses estão fechados. Parte da mídia tradicional trabalha para colocar em dúvida o processo eleitoral, nitidamente para dar um motivo a uma intromissão dos EUA quando o povo votar contra essa manipulação rasteira.
A família Bolsonaro, que já anunciou subserviência a Trump, sabe que o Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo — que mudará de dono se a ultradireita ganhar. O que pesa contra o projeto democrático de Lula, na cabeça desses traidores entreguistas, é exatamente a decisão de manter a soberania e de não abaixar a cabeça.
Todos nós sabemos que o presidente da República não pode ser processado ou responsabilizado criminalmente durante o mandato por atos estranhos ou anteriores ao exercício de suas funções. Há uma imunidade temporária à persecução penal prevista no artigo 86, § 4º, da Constituição Federal. É isso que o grupo bolsonarista procura: imunidade criminal, pois, se não a conseguir, logo teremos uma grande prisão familiar, tipo novo no direito penal brasileiro. E, claro, entregar o país para ficar ainda mais rico.
Vamos votar com os olhos voltados para o futuro e para um Brasil mais justo, igual, solidário e soberano. Por nós, pelos nossos filhos e netos e pelo povo brasileiro mais necessitado, que precisa da continuidade democrática, com uma política voltada para a estabilidade econômica, mas também preocupada com a questão social. Eu voto em Lula e Alckmin por esse Brasil!
Lembremo-nos sempre do grande Eduardo Galeano: “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos, e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”