
Uma igreja católica em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro, fechou as portas durante a missa neste sábado (3), quando apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) ocuparam a Praça da Fé, em frente ao templo, no encerramento da campanha do candidato à Presidência. Os fiéis permaneceram dentro da igreja para concluir a celebração.
Fiéis relataram a jornalistas incômodo com o barulho e o cheiro de pólvora. Do lado de fora, simpatizantes do senador agitavam bandeiras e dançavam ao som dos jingles da campanha enquanto a atividade religiosa ainda ocorria.
O episódio acontece após ataques de figuras bolsonaristas à hierarquia católica e a retomada da discussão sobre o título de Nossa Senhora Aparecida. Na quarta-feira (30), o pastor Victório Galli, ex-deputado e ex-assessor de Jair Bolsonaro, defendeu o projeto de sua autoria que substituiria a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos” na legislação sobre o feriado de 12 de outubro.
Igreja Catolica em Bangu fecha as portas no meio da missa após chegada de Flavio Bolsonaro ao local do comício, na frente do templo.
Fiéis relataram a jornalistas incômodo com o barulho e o cheiro de pólvora. pic.twitter.com/inRcIhLPd2
— Sam Pancher (@SamPancher) October 3, 2026
A proposta foi apresentada em 2007 e arquivada em 2008. Galli afirmou que não se arrepende da iniciativa, mas disse que Jair e Flávio Bolsonaro não discutiram com ele a mudança. Flávio negou que pretenda retirar o título da santa; a atribuição desse plano ao senador não corresponde à autoria nem à situação do projeto.
Nesse ambiente de conflito, o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, foragido da Justiça brasileira e aliado de Eduardo Bolsonaro, atacou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) com insultos homofóbicos e palavrões. Em vídeo, chamou os religiosos de “um bando de viadinho, filhos da puta” e dirigiu ofensas a Dom Vicente de Paula Ferreira, bispo de Livramento de Nossa Senhora, na Bahia.
Allan reagia a uma publicação de Dom Vicente que contestava acusações de Flávio contra a CNBB. O blogueiro também endossou a declaração de Jair Bolsonaro de que a entidade seria a “parte podre” da Igreja Católica e estendeu as ofensas aos demais bispos.