
O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) acusou a TV Globo de ter preparado um conluio com Flávio Bolsonaro (PL) no debate presidencial previsto para quinta-feira (1º), mas cancelado poucas horas antes de começar. Em entrevista ao Inteligência Ltda. na sexta-feira (2), o líder do MBL afirmou acreditar que a emissora pretendia deixá-lo de fora e transformar o encontro em uma demonstração de força do senador diante de outros candidatos de direita.
“Eu acho que a Globo virou uma chave com a campanha do Flávio faz um tempinho”, afirmou Renan. Ao comentar especificamente o debate, foi direto: “O que rolou agora foi uma proteção ao Flávio”.
A acusação de Renan se baseia principalmente nas regras inicialmente estabelecidas para o programa. Lula (PT) havia decidido não comparecer. Pela configuração acertada pela Globo, seu púlpito continuaria no cenário, identificado com seu nome, e os candidatos presentes poderiam formular perguntas ao presidente mesmo sem receber respostas.
Essa parte das regras acabou suspensa por decisão da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ela proibiu a exposição do púlpito vazio de Lula e as perguntas destinadas ao petista. Pouco depois, Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Renan fosse incluído no debate.
Para o candidato do Missão, a exclusão inicial de seu nome já indicava que havia algo incomum. Ele afirmou que sua campanha não foi chamada para reuniões preparatórias, mesmo tendo participado de outras etapas da cobertura eleitoral da emissora.
“Eles não me chamaram para as reuniões, sendo que eu estou tendo cobertura oficial da Globo. Por que eles fizeram as reuniões e não avisaram a gente? Tem algo estranho”, relatou.
Renan Santos revela o conluio armado pela Globo para favorecer Flávio Bolsonaro no debate. pic.twitter.com/uUM0WG8Kiu
— Luis Fernando (@Luis16363936550) October 3, 2026
Renan também disse ter estranhado a segurança demonstrada por Flávio dias antes, quando o senador anunciou que iria ao debate mesmo se Lula faltasse. “O Flávio está seguro porque tem alguma coisa rolando, e essa coisa rolando me inclui. Ou, quer dizer, me exclui”, afirmou.
Segundo ele, a configuração do programa permitiria que Flávio aparecesse como principal representante da direita ao lado de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante). Renan alegou ainda ter ouvido de jornalistas que Zema poderia desistir da candidatura, informação que não se concretizou até aquele momento.
“A real é que tinha aparentemente um circo armado para que esse debate de ontem fosse uma celebração do Flávio Bolsonaro como líder da direita”, afirmou.
Renan descreveu a situação como se Flávio estivesse “jogando em casa” e disse acreditar que os demais candidatos poderiam convergir em torno do senador durante o programa. Ele, porém, não apresentou provas de que Globo, Flávio ou as outras campanhas tenham combinado previamente essa estratégia.
A sequência de decisões judiciais alterou o cenário. Após o TSE impedir o púlpito vazio de Lula e o STF garantir a participação de Renan, Flávio anunciou que não iria mais ao encontro. A Globo posteriormente cancelou o debate e afirmou que as decisões de última hora provocaram “insegurança jurídica” e configuraram uma “interferência indevida” na liberdade da imprensa para organizar o programa.