
Empresas do setor de apostas usaram as placas publicitárias do MorumBis para protestar contra a proibição das bets pelo governo Lula. As mensagens apareceram durante a derrota do São Paulo para o Santos por 2 a 1, nesta sexta-feira (2), em partida atrasada da 21ª rodada do Brasileirão. A iniciativa foi articulada por entidades que representam o mercado de apostas. Com informações do Terra.
Empresas associadas à Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e ao Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) cederam seus espaços nas placas ao redor do gramado. Foram exibidas frases como “Proibir não é proteger” e “A proibição não acaba com as apostas”. As entidades também anunciaram a realização do protesto na partida entre Atlético-MG e Bragantino, neste sábado (3).
As mensagens reproduzem o manifesto assinado pelas entidades e por operadoras do setor. No documento, elas sustentam que a proibição pode deslocar apostadores para plataformas clandestinas, sem fiscalização. Defendem a manutenção de um mercado regulado, com controles sobre depósitos, publicidade e tempo de uso. Esses argumentos são apresentados pelas empresas que contestam a medida provisória de Lula.

O São Paulo também participa da reação judicial à proibição. Ao lado de Ponte Preta, Vitória, Guarani e Portuguesa, o clube apresentou uma petição conjunta ao Supremo Tribunal Federal (STF) na quinta-feira (1º). As equipes alegam prejuízos a contratos de patrocínio e ao planejamento financeiro, pedindo a suspensão dos efeitos da medida e um período de transição. O movimento se soma ao pedido do Flamengo para participar da disputa no STF.
O clássico ocorreu antes do encerramento do prazo para retirar marcas de apostas dos materiais de publicidade e patrocínio, previsto para segunda-feira (5), às 23h59, no horário de Brasília. O São Paulo ainda exibiu a Superbet na camisa, enquanto o Santos já havia suspendido o contrato com a Novibet e retirado a marca do uniforme. A Betano, que dá nome ao campeonato, também permaneceu nas peças publicitárias da partida.
O Manual de Competições da CBF de 2026 exige que os participantes atuem para prevenir manifestações político-religiosas e político-partidárias. Na parte comercial, determina que ações de marketing dos clubes sejam submetidas à entidade e prevê sanções para iniciativas executadas sem aprovação expressa. O documento também estabelece regras próprias para placares eletrônicos e telões, equipamentos distintos das placas publicitárias utilizadas no protesto.
Na direção oposta à defendida pelo setor, a AGU pediu ao STF a derrubada do marco legal das bets nesta sexta-feira. O órgão afirma que a regulamentação não conteve os danos à saúde, o endividamento e a insegurança alimentar das famílias. Essa manifestação trata das leis que autorizaram e regulamentaram as apostas, em uma discussão diferente das ações que contestam diretamente a medida provisória de proibição.