
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que inclua a suspensão dos serviços consulares presenciais dos Estados Unidos no Brasil em uma investigação sobre suposta interferência externa nas eleições. O pedido ocorreu após a representação diplomática anunciar, na noite desta quinta-feira (1), a interrupção dos atendimentos por razões de segurança.
Os Estados Unidos suspenderam nesta sexta-feira (2) o atendimento presencial na embaixada em Brasília e nos consulados instalados no país. O comunicado da representação norte-americana citou “preocupações com a segurança”, mas não especificou os serviços atingidos nem esclareceu a situação de pedidos de vistos e passaportes.
A defesa eleitoral de Lula afirmou ao TSE que a decisão, tomada dois dias antes do primeiro turno, gera insegurança e projeta instabilidade sobre o pleito. A campanha quer que o tribunal avalie o episódio dentro da apuração já aberta sobre alegada influência estrangeira na eleição brasileira.
No pedido, a campanha classificou a suspensão como um “desdobramento gravíssimo da interferência nas eleições brasileiras pelo governo norte-americano, articulada, ao que tudo indica, diretamente pelos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro”. A manifestação atribui essa avaliação à sequência de medidas e contatos diplomáticos citados na investigação eleitoral.

Campanha cita carta de senadores dos EUA a Marco Rubio
O documento entregue ao TSE também menciona uma carta dos senadores norte-americanos Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch ao secretário de Estado, Marco Rubio. Os parlamentares alertaram a administração de Donald Trump contra interferências nas eleições brasileiras marcadas para 4 de outubro.
A campanha sustentou que “um gesto diplomático anômalo dessa magnitude”, adotado no período eleitoral, deve ser examinado como parte da mesma frente institucional e diplomática. Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro não tiveram manifestação incluída no pedido divulgado.
A embaixada da Austrália em Brasília também fechou as portas nesta sexta-feira (2), alegando questões de segurança. Não havia indícios de ameaça dirigida à representação australiana, e o fechamento seguiu a medida adotada pelos Estados Unidos.
Na mesma data, a Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e em Águas Lindas (GO) para investigar um suposto plano contra a Embaixada dos Estados Unidos. A corporação apreendeu celulares e computadores de dois suspeitos, que passarão por perícia.
A investigação tramita sob sigilo e conta com colaboração de agências de inteligência estrangeiras. A PF informou que identificou os alvos após comentários publicados em plataformas e redes sociais, mas declarou que ainda não encontrou elementos que confirmem os riscos inicialmente apontados nem ligação dos investigados com organizações criminosas.