
O cancelamento do debate entre candidatos à Presidência da República nesta quinta-feira (1º) prejudicou a audiência da Globo. A emissora substituiu o espaço que destinaria ao confronto por “Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa”, mas o filme não atraiu o público esperado.
Segundo o Notícias da TV, o “Jornal Nacional” registrou 20,8 pontos na Grande São Paulo, com 35,1% de participação entre os televisores ligados. O resultado marcou o pior desempenho do telejornal em uma quinta-feira em seis meses na capital paulista. A última marca inferior havia sido de 18,1 pontos, em 2 de abril de 2026.
O debate saiu da programação após intimações da Justiça e a desistência de Flávio Bolsonaro (PL) em cima da hora. A crise nos bastidores não elevou os índices do principal telejornal da emissora.
“Quem Ama Cuida”, novela que inicialmente não iria ao ar por causa do debate, alcançou 22,6 pontos. A produção das nove teve sua pior audiência de quinta-feira em um mês. A mudança na grade colocou a novela em uma noite diferente da planejada pela Globo. Mesmo com a exibição mantida após o cancelamento, a atração não repetiu o desempenho habitual do horário.
Na sequência, o “Cinema Especial” exibiu o longa de 2020 protagonizado por Margot Robbie no papel de Arlequina. A sessão ocupou o espaço deixado vago na programação do fim da noite. O filme terminou com 9,7 pontos e 23% de participação. A faixa registrou queda de 57% na audiência no fim da noite.

Debate cancelado
A Globo cancelou o debate entre candidatos à Presidência da República, que ocorreria na noite de quinta-feira (1°), após receber duas intimações judiciais horas antes do encontro. Uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vetou regras previstas para a eventual ausência de Lula (PT), e outra, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão de Renan Santos, do Missão.
A ministra Estela Aranha, do TSE, acolheu pedido da coligação de Lula e invalidou o trecho das regras que tratava de candidatos ausentes. A emissora informou que a medida impede a manutenção de um púlpito vazio identificado com o nome do petista e também proíbe que os participantes façam perguntas destinadas a ele.
A ata do debate, assinada pelos partidos, previa que o púlpito do candidato ausente permaneceria no cenário com uma placa de identificação. O documento também reservava uma rodada de tema livre para os presentes formularem, em até 30 segundos, a pergunta que fariam ao adversário que não comparecesse.
Em nota, a Globo afirmou que as decisões tomadas às vésperas do programa provocaram “insegurança jurídica” e configuraram “uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais”. A empresa disse que cancelou o encontro por causa das mudanças impostas no mesmo dia.