Nos minutos finais da entrevista ao Flow Podcast, realizada nesta quinta-feira (1º), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo direto aos brasileiros com mais de 70 anos para que compareçam às urnas no primeiro turno das eleições, neste domingo (4).
A faixa etária é uma das situações em que o voto é facultativo no Brasil. Lula, que tem 80 anos, pediu que os idosos não interpretem a possibilidade legal de não votar como motivo para abandonar a participação eleitoral.
“Não acredite que pelo fato de você ter setenta anos, você não deve votar porque a lei permite que você não vote”, afirmou. “O Brasil não parou porque você fez 70 anos. E as suas necessidades não pararam, porque você tem filhos, neto, bisnetos, então vá votar pelo Brasil que você quer para os seus filhos e seus netos”, disse.
Já são mais de 34 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, segundo o IBGE. Esse crescimento também aparece nas urnas: quase 17 milhões de pessoas com 70 anos ou mais estão aptas a votar nas eleições de 2026, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O presidente usa a própria idade como referência
Lula prosseguiu com o apelo em tom direto, destacando que o envelhecimento não deveria significar afastamento da vida pública. “Compareça, levante, vá votar. Não permita que a velhice deixe você acomodado”, afirmou. Ele ainda falou em criar uma política pública que garanta espaços públicos para idosos dançarem, nadarem, fazerem exercícios, verem filmes, participarem de jogos. “Não é para trancá-los. É preciso enfrentar a velhice e não com remédios”.
A fala também foi acompanhada de uma referência à própria condição de eleitor e candidato de 80 anos. Lula já havia feito, em setembro, um apelo semelhante durante ato de campanha no Rio de Janeiro, quando argumentou que sua própria disposição aos 80 anos deveria servir como exemplo de que a idade, por si só, não impede a participação política.
No Flow, porém, o discurso ganhou uma dimensão mais pessoal ao mencionar filhos, netos e bisnetos como parte das razões para que pessoas acima dos 70 anos continuem participando das decisões eleitorais.
Para aposentados e pensionistas do INSS, porém, existe ainda outro motivo para ir às urnas: o registro da participação eleitoral pode ser utilizado na prova de vida, por meio do cruzamento de informações entre a Justiça Eleitoral e o Instituto.
A mensagem foi, portanto, dirigida não apenas ao ato de votar, mas à permanência dos idosos na vida pública e na discussão sobre os rumos do país. Nos próximos quatro anos, decisões tomadas por quem for eleito poderão aparecer na vida de milhões de pessoas idosas: no valor da aposentadoria, no acesso a um medicamento, na consulta pelo SUS, na proteção contra golpes e violência ou na existência de serviços para quem precisa de cuidados.
Por isso, para quem tem 60, 70 anos ou mais, votar é também participar das decisões sobre o próprio futuro. É escolher quem terá a responsabilidade de defender direitos, garantir proteção social e criar condições para que a velhice seja vivida com renda, saúde, autonomia e dignidade.