
A prisão do ex-vereador Milton Leite instalou um ambiente de desorganização no União Brasil de São Paulo a duas semanas do primeiro turno eleitoral. Parlamentares e assessores da sigla relatam que a ausência do dirigente, apontado como o principal comando político do partido no estado, deixou candidatos sem orientação central para a reta final da campanha.
“Está todo mundo perdido. Ele era um grande líder, por mais que o Alexandre e o Miltinho estejam tocando brilhantemente o partido, demora um tempo até cair a ficha do pessoal do administrativo, financeiro e jurídico”, afirmou uma fonte do partido à coluna de Vinícius Passarelli no Metrópoles.
Formalmente, o deputado federal Alexandre Leite preside o diretório estadual do União Brasil. Milton Leite ocupa a tesouraria, mas correligionários o descrevem como o dirigente que exercia o controle efetivo das decisões da legenda paulista.
Outro integrante do partido classificou a situação como “caótica” e disse que os candidatos passaram a cuidar das próprias campanhas, sem diretrizes da cúpula. “Está cada um recolhido. Tentando cuidar do seu curral. Sinceramente, não sei quem está no comando”, declarou.

Filhos de Leite concentram preocupação de candidatos
A crise também alimentou preocupação com o desempenho eleitoral de Alexandre Leite e de Milton Leite Filho. Alexandre disputava uma vaga de deputado estadual, enquanto Miltinho buscava deixar a Assembleia Legislativa de São Paulo para concorrer à Câmara dos Deputados.
Os dois são considerados puxadores de voto em suas chapas, o que ampliou o temor de aliados sobre uma eventual redução de votos. A assessoria de Alexandre Leite afirmou que os trabalhos partidários “seguem normalmente quanto ao cumprimento do planejado pelo partido”.
Milton Leite se entregou à Polícia Civil no dia 18, na Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, depois de passar mais de 24 horas considerado foragido. A Justiça decretou sua prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo.
A investigação apura uma possível infiltração do crime organizado no transporte coletivo da capital paulista. Os autos incluem diálogos de supostos integrantes do PCC que citam o nome de Leite em negociações para que uma empresa assumisse uma linha de ônibus; ele nega envolvimento, afirma que não cometeu crime e diz que provará sua inocência. O STJ negou habeas corpus da defesa no dia 23, enquanto aliados aguardavam análise de novo pedido no STF antes da eleição de domingo (04).