“Todo mundo perdido”: o partido que vive caos após prisão de líder

Milton Leite
Milton Leite. Foto: Reprodução

A prisão do ex-vereador Milton Leite instalou um ambiente de desorganização no União Brasil de São Paulo a duas semanas do primeiro turno eleitoral. Parlamentares e assessores da sigla relatam que a ausência do dirigente, apontado como o principal comando político do partido no estado, deixou candidatos sem orientação central para a reta final da campanha.

“Está todo mundo perdido. Ele era um grande líder, por mais que o Alexandre e o Miltinho estejam tocando brilhantemente o partido, demora um tempo até cair a ficha do pessoal do administrativo, financeiro e jurídico”, afirmou uma fonte do partido à coluna de Vinícius Passarelli no Metrópoles.

Formalmente, o deputado federal Alexandre Leite preside o diretório estadual do União Brasil. Milton Leite ocupa a tesouraria, mas correligionários o descrevem como o dirigente que exercia o controle efetivo das decisões da legenda paulista.

Outro integrante do partido classificou a situação como “caótica” e disse que os candidatos passaram a cuidar das próprias campanhas, sem diretrizes da cúpula. “Está cada um recolhido. Tentando cuidar do seu curral. Sinceramente, não sei quem está no comando”, declarou.

Milton Leite e Ricardo Nunes. Foto: Divulgação

Filhos de Leite concentram preocupação de candidatos

A crise também alimentou preocupação com o desempenho eleitoral de Alexandre Leite e de Milton Leite Filho. Alexandre disputava uma vaga de deputado estadual, enquanto Miltinho buscava deixar a Assembleia Legislativa de São Paulo para concorrer à Câmara dos Deputados.

Os dois são considerados puxadores de voto em suas chapas, o que ampliou o temor de aliados sobre uma eventual redução de votos. A assessoria de Alexandre Leite afirmou que os trabalhos partidários “seguem normalmente quanto ao cumprimento do planejado pelo partido”.

Milton Leite se entregou à Polícia Civil no dia 18, na Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, depois de passar mais de 24 horas considerado foragido. A Justiça decretou sua prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo.

A investigação apura uma possível infiltração do crime organizado no transporte coletivo da capital paulista. Os autos incluem diálogos de supostos integrantes do PCC que citam o nome de Leite em negociações para que uma empresa assumisse uma linha de ônibus; ele nega envolvimento, afirma que não cometeu crime e diz que provará sua inocência. O STJ negou habeas corpus da defesa no dia 23, enquanto aliados aguardavam análise de novo pedido no STF antes da eleição de domingo (04).

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