
O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e manifestou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) às vésperas do primeiro turno das eleições brasileiras, marcado para domingo (4). Em entrevista à revista francesa Le Point, o argentino afirmou: “Lula é um ladrão; saiu da prisão devido a um vício administrativo”.
As condenações de Lula na Lava Jato foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal em 2021, após o reconhecimento de que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os processos. A decisão do ministro Edson Fachin foi confirmada pelo plenário por oito votos a três.
Na entrevista, Milei disse esperar que o candidato do PL derrote Lula e leve ao Brasil a agenda econômica defendida pelo governo argentino. “Tenho a esperança de que meu amigo Flávio Bolsonaro vença em outubro para realizar o saneamento liberal de que o país precisa”, declarou.
Questionado sobre a relação com o Brasil, principal parceiro comercial da Argentina, Milei classificou o comércio como “uma questão entre entes privados”. “Se alguém quiser comercializar com o Brasil, seja bem-vindo. Isso não me impede de dizer o que penso sobre Lula”, afirmou.

O argentino também acusou Lula de enviar uma equipe de 30 psicólogos e comunicadores brasileiros para atuar contra sua candidatura em 2023. A referência é ao grupo de publicitários ligados ao PT que reforçou a campanha de Sergio Massa, adversário de Milei. Naquela disputa, o ultraliberal chegou a acusar o presidente brasileiro de financiar o peronista, sem apresentar provas.
Milei dirigiu insultos ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, ao comentar o veto a uma visita a Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. Também comparou a restrição com a visita de Lula à ex-presidente argentina Cristina Fernández de Kirchner, condenada e presa.
Os ataques retomam a postura adotada por Milei na convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio, em julho, em São Paulo. Na ocasião, o presidente argentino insultou Lula e chamou Moraes de “lixo careca”, desencadeando uma crise diplomática entre os dois países.
Depois daquele episódio, o Itamaraty convocou os representantes diplomáticos dos dois governos para esclarecimentos. No início de agosto, o Brasil rebaixou as relações com a Argentina, dispensou o embaixador argentino em Brasília e manteve no país o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli. Segundo a Folha, essa situação permanece.