
A revista alemã Der Stern afirmou que os membros da família Trump parecem uma “família boazinha do subúrbio” se comparada aos Bolsonaros. A publicação diz que o clã brasileiro pode constituir um “recorde mundial”.
A reportagem contabilizou 18 candidaturas com o sobrenome Bolsonaro nas eleições de 4 de outubro. Desse total, oito pessoas pertencem ao núcleo familiar, incluindo Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, e Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado.
O texto também cita as candidaturas de Carlos Bolsonaro ao Senado, de Jair Renan Bolsonaro a deputado federal e de Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, a deputado federal. Outros dez candidatos usariam o sobrenome Bolsonaro sem terem parentesco com a família, em busca de maior visibilidade eleitoral.
Para a socióloga Débora Messenberg Guimarães, da Universidade de Brasília, a quantidade de parentes na mesma disputa eleitoral não encontra paralelo em outras dinastias políticas. “Oito membros de uma família se candidatarem para uma eleição de uma só vez é possivelmente um recorde mundial”, disse ela à revista.

Der Stern compara Bolsonaros a famílias Le Pen e Bush
A Der Stern mencionou as famílias Le Pen, da França, e Bush, dos Estados Unidos, como exemplos de linhagens políticas conhecidas. A socióloga ouvida pela revista avaliou que esses grupos atuaram em “amplitude regional e em menor número” do que os Bolsonaro.
A publicação também tratou Flávio Bolsonaro como representante do establishment político, apesar de sua associação a discursos antissistema. “Ele nunca mostrou nada politicamente, além do sobrenome. Ele é o filho de Jair e, por isso, virou senador. Ele nunca fez nada por conta própria”, escreveu a revista.
Ao comparar as trajetórias de Flávio e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a reportagem afirmou: “Lula conseguiu ir de trabalhador de fábrica a presidente. Flávio, de filho de presidente a pretendente à presidência”. O texto coloca os dois como os principais concorrentes da disputa presidencial.
A revista lembrou a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, sua prisão domiciliar e investigações que envolvem Flávio Bolsonaro. A reportagem também afirmou que Michelle teria mais chances eleitorais, mas ficou em segundo plano dentro da família por uma postura sexista do clã.