
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, atacou o governo Lula ao comentar a proibição das bets e afirmou que a medida compromete receitas previstas para honrar contratos do clube. Em entrevista à Flamengo TV, o dirigente citou o jogador Lucas Paquetá para exemplificar sua preocupação: “Como é que eu vou pagar o Paquetá em janeiro? Eu assumi um compromisso importante para o Flamengo”.
Bap questionou principalmente o momento da decisão, às vésperas da eleição, e defendeu que eventuais problemas do setor fossem enfrentados com mudanças na regulamentação. “Banimento unilateral da forma que foi, no momento em que foi, é muito difícil a gente entender isso a uma semana de uma eleição”, afirmou. Segundo ele, as regras poderiam receber ajustes ao longo do tempo, sem a interrupção da atividade.
Qual o verdadeiro impacto do banimento das casas de apostas no Flamengo? Bap foi direto no MengoCast: a decisão gera insegurança jurídica e afeta desde o futebol profissional até os campeonatos regionais. Para ele, comparar a realidade financeira atual com a do passado é um erro.… pic.twitter.com/PllljvfxTU
— Flamengo (@Flamengo) September 29, 2026
O dirigente também rebateu o argumento de Lula de que o futebol brasileiro conquistou seus principais títulos antes da presença das casas de apostas. Sem mencionar o presidente nominalmente nesse trecho, classificou o raciocínio como “sofisma” e sugeriu que seus defensores estão desatualizados. “O mundo era outro, João. O mundo era outro”, disse ao interlocutor. “A gente não pode comparar o que a gente vive hoje com o passado.”
Ao defender a gestão do clube, Baptista afirmou que o Flamengo atua dentro da lei e não depende de socorro público para quitar suas obrigações. “O Flamengo não precisa de Proer ou de ajuda do governo para pagar as dívidas dele. Nós pagamos as dívidas que nós tínhamos no passado”, declarou. Para ele, o problema provocado pela proibição está nas receitas futuras, com efeitos sobre salários, contratações e pagamentos já assumidos.
Em outro trecho, o presidente do clube apresentou estimativas de perdas em diferentes áreas: R$ 20 milhões nos esportes olímpicos do Flamengo, R$ 63 milhões em placas publicitárias e R$ 27 milhões no Campeonato Carioca. Também afirmou que os campeonatos regionais perderiam premiações e outras receitas ligadas às apostas. “Quem gosta de campeonato regional, esses todos, enquanto nós estamos falando aqui, acabaram”, disse. Os recortes não apresentam documentos ou cálculos que permitam conferir esses valores.
“Quando pensamos que já vimos tudo no Brasil, somos surpreendidos”. Bap criticou a mudança repentina de postura do governo em relação às casas de apostas. O dirigente recordou que o Estado arrecadou mais de 9 bilhões em impostos e concessões de forma totalmente legal, para agora… pic.twitter.com/K2XhvLGE6p
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Baptista estendeu a crítica ao financiamento das transmissões esportivas e estimou que dois terços dos patrocínios da CazéTV durante a Copa do Mundo vinham de empresas de apostas. Em seguida, afirmou que o governo arrecadou mais de R$ 9 bilhões em impostos e cobrou pelas autorizações de funcionamento. “Agora, pasme, diz que é ilegal e que não vai devolver o dinheiro”, declarou. O dirigente não detalhou, nesse trecho, a que valores se referia ao falar em devolução.
As declarações se somam à reação dos clubes à proibição. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, dirigentes de Flamengo e Palmeiras lideraram uma articulação para esvaziar a reunião com o governo prevista para terça-feira (29). O encontro foi adiado, sem nova data. Oficialmente, o Executivo atribuiu a mudança à proximidade da agenda e aos horários dos voos disponíveis, enquanto o jornal relatou insatisfação das equipes com a perda de patrocínios e a ausência de diálogo antes da decisão.