
José Medeiros (PL-MT) decidiu ir para o tudo ou nada depois do vazamento do áudio em que dizia que seu eleitor “ora para alienígenas e bebe detergente”. Em um novo vídeo divulgado nas redes, o candidato ao Senado não recuou, não pediu desculpas e transformou a própria crise em material de campanha, repetindo as referências que haviam provocado desgaste e acrescentando outras cenas associadas ao bolsonarismo.
“Nós, bolsonaristas, somos rotulados de beber detergente e rezar para ET. Mas fazemos mais que isso”, afirma Medeiros antes de citar apoiadores que foram a Brasília a pé, comeram pão com Leite Moça e acamparam diante de quartéis. O candidato apresenta a sequência como deboche e incorpora ao vídeo justamente os episódios usados por adversários para ridicularizar a militância bolsonarista.
A reação veio depois do vazamento de um áudio em que Medeiros dizia que seu eleitor “ora para alienígenas e bebe detergente”. A gravação havia sido enviada a Chico Mendes, prefeito de Diamantino e irmão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Medeiros não negou ser o autor da fala.
No novo vídeo, Medeiros diz que quem ficou incomodado com o “áudio editado” é porque não o conhece e avisa que não pretende se desculpar. “Se tem uma coisa que nós, bolsonaristas, também não fazemos é arregar e usar a estratégia do ‘quem me conhece sabe’”, afirma. Até o ponto mais polêmico da gravação é reaproveitado: “Sobre a frase, faltou o mais importante: o detergente que a gente bebe é Ypê”.
José Medeiros gosta de correr perigo. Já que vazou vídeo dele assumindo que seu eleitores bebem detergente, ele dobrou a aposta. Veja o que ele falou. pic.twitter.com/FmtZYVN03H
— GugaNoblat (@GugaNoblat) September 26, 2026
Em outro áudio tornado público dias antes, Medeiros dizia a Chico Mendes que evitava atacar o STF e havia pedido ao marketing que retirasse referências à Corte, abrindo exceção apenas para Alexandre de Moraes. Depois da repercussão das gravações, o candidato passou a apresentar o episódio como tentativa de adversários de prejudicá-lo eleitoralmente.
Medeiros também afirmou que os vazamentos fazem parte de “ciladas dos inimigos” e passou a explorar a identificação com o eleitorado de Jair Bolsonaro como resposta à crise. Candidato a uma vaga no Senado por Mato Grosso, ele tenta se colocar como o nome diretamente ligado à família Bolsonaro no estado.
Ao assumir a frase em vez de tentar neutralizá-la, Medeiros converteu o que poderia ser uma defesa em aposta política. O cálculo é evidente: se o áudio já circula entre adversários e eleitores, a saída escolhida foi abraçar a própria caricatura, radicalizar o tom e transformar “alienígenas e detergente” em senha de pertencimento ao bolsonarismo.