
Donald Trump afirmou neste sábado (26) que a China tenta frear o avanço dos Estados Unidos na inteligência artificial e descartou integrar os esforços dos dois países no desenvolvimento da tecnologia. Ao falar com jornalistas na Casa Branca depois da visita de Xi Jinping a Washington, o presidente estadunidense disse que seu país está “muito à frente” dos chineses e que pretende preservar essa vantagem.
“Os Estados Unidos da América não vão pisar no freio”, afirmou Trump. “Eles querem frear o nosso progresso, porque estamos muito à frente da China e vamos continuar assim.” O republicano também rejeitou uma integração tecnológica mais ampla: “Eu preferia não integrar, porque estamos muito à frente. Quando você está na liderança, não abre o jogo para o outro lado”. Trump voltou ainda a defender que inteligência artificial passe a ser chamada de “superinteligência”, ou “SI”, e afirmou que Xi teria gostado da nova denominação.
Por outro lado, segundo a Associated Press, os Estados Unidos e a China concordaram em criar um mecanismo de comunicação para incidentes relacionados à inteligência artificial, destinado a discutir riscos e benefícios da tecnologia. Os dois governos também marcaram para novembro um diálogo específico sobre IA.
Trump on AI:
“The United States of America is not gonna be putting on brakes…we’re leading China and we’re gonna keep it that way!”
“This country is going to do it 100%.”
pic.twitter.com/mP7yPUFIiw— Open Source Intel (@Osint613) September 26, 2026
O acordo não significa que Washington e Pequim passarão a desenvolver modelos ou tecnologias em conjunto, exatamente o tipo de integração rejeitada por Trump. O mecanismo tem caráter de segurança e gerenciamento de crises. Ainda assim, cria uma estrutura institucional de cooperação entre os dois principais rivais tecnológicos do mundo justamente no campo em que o presidente estadunidense diz preferir não “abrir o jogo”.
Trump já vinha defendendo que os Estados Unidos não desacelerassem o desenvolvimento da IA por causa da disputa com a China. A ideia de uma vantagem folgada também encontra um cenário de competição mais apertado já que as empresas estadunidenses vêm sendo pressionadas por modelos chineses mais baratos e de pesos abertos, enquanto Pequim amplia investimentos em chips e infraestrutura próprios.
A inteligência artificial foi apenas uma das frentes da visita de Xi Jinping a Washington. Os dois governos também avançaram em canais militares para evitar crises, mantiveram discussões sobre tarifas e terras raras e concordaram em continuar as negociações comerciais. A AP avaliou que a cúpula não produziu grandes rupturas, mas criou mecanismos de contato capazes de reduzir o risco de uma disputa sair do controle.