
O Ministério da Justiça e Segurança Pública apura um grupo no Telegram com mais de 31 mil participantes por possível envolvimento com manipulação de apostas esportivas. Segundo Milena Teixeira, do Metrópoles, os responsáveis pelo canal vendem supostas informações privilegiadas sobre partidas e anunciam aos usuários acesso a “jogos 100% confirmados”.
Uma das ofertas custa R$ 190 e é vendida por meio de um sistema automatizado. O administrador afirma possuir informações antes das partidas e, posteriormente, publica bilhetes apresentados como vencedores. As mensagens usam expressões como “jogo confirmado” e “informação de dentro do vestiário” para promover o serviço.
O canal também orienta os participantes a dividir apostas superiores a R$ 10 mil em operações menores. A justificativa apresentada aos usuários é evitar que valores elevados chamem a atenção das casas de apostas. A recomendação está entre os elementos analisados pelo Ministério da Justiça.

Outra mensagem afirma que o responsável estaria “fechando com uma equipe sub-20 e também com 2 times femininos”. Fontes do ministério ouvidas pelo Metrópoles ressaltam que a declaração, sozinha, não comprova manipulação de partidas nem demonstra que o grupo tenha acesso efetivo a atletas, dirigentes ou funcionários dos clubes citados.
A apuração busca descobrir quem administra o canal, quem recebe os pagamentos e se as supostas informações privilegiadas possuem alguma origem real. Os investigadores também tentam identificar eventual contato entre os responsáveis pelo grupo e pessoas ligadas às equipes mencionadas nas mensagens.
O caso surge no momento em que o governo amplia o cerco às apostas on-line. Antes das medidas anunciadas nesta sexta-feira, já estavam em discussão restrições aos cassinos virtuais, à publicidade e às apostas esportivas. A frente envolvendo o Telegram, porém, tem objeto próprio: determinar se existe manipulação efetiva de partidas ou apenas a venda de uma promessa de acesso a informações internas.