A visita de Xi Jinping a Washington terminou com troca de elogios, gestos diplomáticos e a extensão da trégua comercial entre Estados Unidos e China, mas sem avanços significativos nas principais disputas entre as duas potências.
Para a CNN norte-americana, o encontro teve mais pompa do que substância — cenário que, segundo a análise, atende aos interesses de Pequim neste momento.
A estabilização da relação entre os dois países já representa um ganho para ambos diante do impacto dos conflitos comerciais sobre a economia mundial e as cadeias de produção. O encontro, porém, repetiu em grande medida a dinâmica da visita de Donald Trump a Pequim, em maio, marcada por gestos simbólicos e poucos compromissos concretos.
China chega a Washington com mais poder de barganha
Xi apresentou a ascensão chinesa como uma oportunidade de cooperação com os Estados Unidos e comparou o projeto de “grande rejuvenescimento da nação chinesa” ao lema de Trump, “Make America Great Again”.
A diferença, segundo a CNN, é que a China chega a esta etapa com mais instrumentos de pressão. Mesmo diante das restrições impostas por Washington a importações, investimentos e acesso a tecnologias norte-americanas, o país mantém exportações em níveis elevados, avança em inteligência artificial e robótica e preserva uma posição estratégica no fornecimento de terras raras.
A ausência de uma grande comitiva empresarial chinesa também foi apontada como sinal de que a relação comercial ainda não alcançou uma nova etapa. O pesquisador Cui Hongjian, da Beijing Foreign Studies University, afirmou à CNN que os dois governos ainda estariam concentrados em estabilizar a relação política.
Taiwan e inteligência artificial seguem sem solução
Apesar da cordialidade pública, questões centrais permaneceram em aberto. Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Xi pressionou Trump para que os Estados Unidos se oponham à independência de Taiwan, considerada por Pequim parte de seu território.
Washington mantém uma política de ambiguidade em relação ao status da ilha, ao mesmo tempo em que a legislação norte-americana prevê o fornecimento de armas para sua autodefesa. A reunião, segundo a CNN, não produziu uma declaração pública dos Estados Unidos sobre a questão.
A inteligência artificial foi outro tema de aproximação. Xi defendeu que Washington e Pequim trabalhem conjuntamente para administrar os riscos associados ao desenvolvimento da tecnologia. A China tem avançado no setor apesar dos controles de exportação impostos pelos EUA, enquanto autoridades norte-americanas acusam empresas chinesas de reproduzir modelos desenvolvidos nos Estados Unidos.
Para a CNN, o resultado do encontro é uma relação mais estável, mas ainda distante de resolver suas principais disputas. Nesse cenário, a manutenção do diálogo e da trégua comercial pode ser, por enquanto, mais importante para Pequim do que a obtenção de grandes acordos.