A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tentar interferir nas eleições brasileiras para favorecer o candidato Flávio Bolsonaro e ampliar o acesso norte-americano aos recursos naturais do país.
A acusação foi feita em uma peça de propaganda eleitoral divulgada nas redes sociais na quinta-feira (24) e veiculada na televisão nesta sexta-feira (25), a pouco mais de uma semana do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na peça, a campanha afirma que Flávio Bolsonaro seria o candidato de Trump e associa a atuação do governo norte-americano a interesses sobre as riquezas brasileiras.
A narradora afirma que o objetivo de Trump seria “colonizar o Brasil”, apropriar-se de seus recursos e comprometer o futuro do país. Em publicação na rede social X, Lula também acusou o adversário de querer entregar recursos naturais brasileiros aos Estados Unidos.
O jornal britânico The Guardian destaca que o posicionamento foi feito pela campanha do presidente Lula, enquanto o governo norte-americano nega que esteja interferindo nas eleições brasileiras: em declaração citada pela publicação, o Departamento de Estado classificou como falsa a insinuação de que Washington esteja articulando uma operação para comprometer uma eleição democrática.
Pressão dos EUA entra no centro da eleição
A acusação ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasília e Washington e a pouco mais de uma semana da votação. O primeiro turno das eleições gerais de 2026 ocorrerá em 4 de outubro; se houver necessidade de segundo turno para presidente, a votação está marcada para 25 de outubro.
Segundo o Guardian, a propaganda da campanha de Lula recupera uma série de episódios apresentados como indícios de uma tentativa de influência norte-americana sobre o processo eleitoral brasileiro, como alegações envolvendo empresas de tecnologia, um documento atribuído à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre riscos de interferência estrangeira e supostos vínculos entre a campanha de Flávio Bolsonaro e a rede conservadora de doadores Rockbridge.
O jornal também relata que parlamentares do Partido Democrata dos Estados Unidos enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, acusando a administração Trump de manter uma campanha de pressão e desestabilização contra o Brasil.
O grupo de 31 congressistas — 30 deputados e o senador Bernie Sanders — questionou as medidas adotadas pelo governo Trump e pediu que a administração norte-americana se comprometa a respeitar o processo eleitoral brasileiro. Os parlamentares solicitaram resposta até 1º de outubro.
A carta também menciona medidas econômicas adotadas por Washington contra o Brasil e uma tentativa de enviar representantes norte-americanos ao país para questionar a integridade do sistema de votação. Segundo o jornal, o governo brasileiro negou vistos à delegação.
A tensão também foi mencionada por Lula durante seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Sem citar diretamente Trump, o presidente afirmou que o Brasil não permitiria que inimigos internos ou externos atacassem a vontade popular e defendeu que a democracia brasileira pertence aos brasileiros.
A campanha de Lula informou que pretende ampliar a mobilização contra o que considera uma tentativa de interferência estrangeira. Segundo Éden Valadares, secretário de Comunicação do PT, estão sendo planejados atos em diferentes partes do país para o domingo (27). Enquanto isso, Washington mantém a negativa de interferência eleitoral.
As críticas à atuação de Washington não ficaram restritas ao campo político de Lula.
O candidato de direita Renan Santos também acusou Trump de interferir nas eleições brasileiras ao associar a suposta interferência norte-americana a interesses relacionados a contratos envolvendo terras raras, e afirmou que não queria que o Brasil se transformasse em um Estado subordinado aos Estados Unidos.