
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve sob sigilo a decisão que negou à Polícia Federal uma segunda operação de busca contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) na investigação sobre o Banco Master. O caso apura suspeitas de que ele tenha atuado na operação de uma aplicação de R$ 3 bilhões do Rioprevidência na instituição.
Mendonça tornou públicos mais de 50 processos ligados ao caso Master após determinação do presidente do STF, Edson Fachin, mas preservou esse braço da apuração. Fachin havia estabelecido que materiais indispensáveis para novas diligências poderiam permanecer protegidos por sigilo.
A PF realizou a primeira busca contra Castro em 26 de maio, durante a Operação Compliance Zero, autorizada por Mendonça. Os agentes foram à cobertura onde o ex-governador mora, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, e essa parte da investigação se tornou pública.
Em julho, o ministro rejeitou o novo pedido dos investigadores, apesar de parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. Na decisão, Mendonça escreveu que não havia “justa causa suficiente” para autorizar outra medida de busca e apreensão.

PF apontou movimentação de caixas e outros endereços ligados a Castro
A Polícia Federal queria fazer buscas em uma sala comercial no centro do Rio e em um imóvel em Petrópolis usado por Castro para lazer e eventos sociais. Os investigadores relataram movimentação atípica de caixas no endereço comercial e levantaram a hipótese de que outros locais pudessem abrigar provas.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, concordou com as diligências. Ele citou “transporte de materiais em circunstâncias suspeitas” e a possibilidade de retenção de documentos e mídias eletrônicas relevantes para a apuração.
Mendonça afirmou que a PF havia feito buscas menos de dois meses antes e advertiu que operações não podem funcionar como “instrumentos de varredura ampla, investigação prospectiva ou devassa na vida pessoal e profissional do indivíduo”. O ministro deixou aberta a possibilidade de reavaliar o pedido se a corporação apresentasse elementos novos e contemporâneos.
As investigações apontam um vínculo próximo entre Castro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e atribuem ao ex-governador papel político na viabilização dos aportes do Rioprevidência. A defesa de Castro nega relações pessoais indevidas com Vorcaro e afirma que os contatos ocorreram em agendas oficiais, institucionais, encontros sociais e atividades de networking.