A polícia de Nova York prendeu 103 manifestantes durante um protesto contra a presença do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na Assembleia Geral da ONU nesta quinta-feira (24). A ação ocorreu em meio à política do governo de Donald Trump de manutenção do apoio dos Estados Unidos a Israel, alvo direto da manifestação. Entre os detidos estavam a atriz Susan Sarandon, a comediante Hannah Einbinder e a ex-analista de inteligência do Exército norte-americano Chelsea Manning.
Organizado pela Jewish Voice for Peace (JVP), movimento judaico norte-americano contrário à ofensiva israelense contra Gaza, o ato reuniu centenas de pessoas nas proximidades da sede das Nações Unidas, em Manhattan. Os manifestantes bloquearam uma avenida e exigiram que Washington interrompesse o financiamento e o envio de armamentos a Israel.
Protesto mira apoio dos EUA a Israel
Usando camisetas com a frase “Fund People Not Bombs” (“Financiem pessoas, não bombas”), os participantes responsabilizaram também o governo norte-americano pela sustentação militar das operações israelenses.
A manifestação ocorre no mesmo mês em que o governo Trump avançou com uma proposta de venda de US$ 2,8 bilhões em munições a Israel, incluindo milhares de bombas com grande poder de destruição. A negociação havia sido comunicada informalmente a comissões do Congresso norte-americano.
O protesto denunciou como genocídio a ofensiva israelense contra os palestinos em Gaza e exigiu que os Estados Unidos interrompessem seu apoio militar ao governo Netanyahu. Israel rejeita a acusação de genocídio e sustenta que suas operações têm como alvo o Hamas.
103 pessoas presas
Segundo a polícia de Nova York, os participantes receberam ordens para liberar a via antes do início das detenções. A NYPD informou que os manifestantes que permaneceram bloqueando o cruzamento foram levados sob custódia por conduta desordenada.
A Jewish Voice for Peace afirmou que mais de cem pessoas foram presas. Entre elas estavam representantes eleitos e candidatos do Partido Democrata, como os vereadores Chi Ossé, Alexa Avilés e Jennifer Gutiérrez, além da candidata ao Congresso Darializa Avila Chevalier e da deputada estadual Emily Gallagher.
Na lista de personalidades detidas aparecem ainda, Hannah Einbinder, Glennon Doyle, Linda Sarsour, Debra Winger, Indya Moore, Caleb Hearon e o rabino Abby Stein, entre outros.
Elliot Page e Cynthia Nixon participaram do ato, mas não aparecem na relação de presos divulgada pelos organizadores.
Netanyahu enfrenta rejeição dentro e fora da ONU
Os protestos nas ruas acompanharam a reação à presença de Netanyahu também no ambiente diplomático. O primeiro-ministro israelense chegou à Assembleia Geral sob críticas pela guerra em Gaza e pelas acusações de crimes internacionais. Ao começar seu discurso no plenário, dezenas de representantes deixaram o local, numa grande demonstração de protesto diante da continuidade da ofensiva em Gaza.
Do lado de fora, a mobilização colocou no centro do debate não apenas as ações do governo israelense, mas também o papel desempenhado pelos Estados Unidos. O apoio militar a Israel permanece como um dos pilares da relação entre Washington e Tel Aviv, agora mantido pelo governo Trump.
A presença do premiê em Nova York também abriu uma frente de tensão com o prefeito Zohran Mamdani, crítico das ações israelenses em Gaza. Antes da Assembleia, Mamdani afirmou que Netanyahu não era bem-vindo à cidade. A própria NYPD, porém, já havia anunciado que faria a segurança dos participantes da reunião e controlaria manifestações nas proximidades da ONU.
A pressão ocorre num momento em que Israel enfrenta críticas de governos, organismos internacionais e movimentos sociais pela condução da guerra em Gaza. Enquanto parte dos aliados tradicionais de Israel passou a adotar medidas contra o avanço da ocupação nos territórios palestinos, os EUA mantiveram posição distinta e continuaram apoiando o governo israelense.
Para a Jewish Voice for Peace, o protesto buscou pressionar Washington a interromper o envio de armamentos. A organização afirmou que pretende manter a mobilização nas ruas e no Congresso norte-americano para exigir o fim do apoio militar a Israel.