
O ministro Cristiano Zanin é hoje o integrante do Supremo Tribunal Federal em quem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mais confia para discutir os desdobramentos das tensões internas na Corte, segundo o Globo. Ex-advogado pessoal de Lula, Zanin teria se consolidado como interlocutor do presidente em meio à crise associada ao caso Banco Master.
Lula indicou Zanin e Flávio Dino ao STF em seu atual mandato e mantém relação próxima com Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. A coluna afirma que o presidente vê em Zanin um interlocutor leal e equilibrado, enquanto considera Gilmar e Moraes aliados circunstanciais do Palácio do Planalto, em razão dos embates que ambos travaram com governos petistas no passado.
O perfil mais discreto de Zanin agrada a Lula, de acordo com a publicação. O ministro adotou intervenções pontuais na sessão de julgamento de 15 de setembro, sem elevar o tom contra colegas, enquanto Gilmar e Dino assumiram a defesa de Moraes durante os debates.
Integrantes do governo avaliaram positivamente a atuação de Zanin naquela sessão. Eles disseram que a aproximação pública entre Moraes e Gilmar poderia se transformar em um “presente” para a campanha de Flávio Bolsonaro, que busca vincular a crise no STF à imagem de Lula.

Zanin negou liminar para instalação da CPI do Banco Master
Aliados de Lula também acompanham com ressalvas os movimentos de Flávio Dino, embora ele tenha sido indicado pelo presidente. Uma fonte ouvida pela coluna afirmou: “Dino é um ególatra, que só pensa em si. Apesar de ajudar o governo, ele tem um projeto próprio”.
Em 2024, Dino disse que poderia voltar a disputar cargos eletivos após completar 75 anos, idade da aposentadoria compulsória no STF. Pela regra atual, ele deixará o tribunal em 2043.
A relação entre Lula e Zanin antecede a nomeação do ministro para o Supremo, há três anos. Levantamento citado pela coluna apontou que 88 dos 135 processos em tramitação no STF conduzidos por Zanin como advogado tratavam da defesa de Lula e de familiares, sobretudo em casos ligados à Lava Jato.
Já como ministro, Zanin negou um pedido de liminar que buscava determinar a instalação da CPI do Banco Master. A decisão manteve paralisada a iniciativa que poderia abrir uma frente de investigação sobre relações entre integrantes do Supremo e lideranças políticas citadas no caso.