Lídia Maria Figueiredo Mazelli, 61 anos, teve vínculo formal no escritório Willer Tomaz Advogados Associados de 25 de março de 2019 a 1º de setembro de 2020. Quatro dias depois, em 5 de setembro, já figurava como dirigente da Jet Line Locação e Serviços Aéreos. Na mesma época assumiu a diretoria da WT Administração de Imóveis e Bens.
O levantamento do ICL Notícias e da newsletter Noites Húngaras, de Alice Maciel e Paulo Motoryn, aponta o nome dela em 14 empresas ligadas ao advogado, amigo declarado do senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.
Os negócios cobrem imóveis, aviação, comunicação, mineração, investimentos e pagamentos. Entre os ativos estão a mansão de R$ 10 milhões na Ilha Comprida (Angra dos Reis), alvo de disputa com o jogador Richarlison; a Ilha do José André, anunciada por R$ 17 milhões; hangar de jatos em Brasília; e a RioPag, que processava pagamentos de bets da Loterj.
A reportagem a localizou em prédio simples no Riacho Fundo (DF). Na abordagem, disse ser doméstica, negou conhecer Willer e chegou a negar o próprio nome. A identidade foi confirmada por encomenda recebida no local e pela foto de documento usada no processo da mansão.
Em junho de 2019, ainda funcionária, foi representada por Willer num inventário da mãe. Nos autos, declarou-se “pessoa pobre na acepção jurídica do termo”.
Como diretora-presidente da WT, assinou atos da disputa da mansão, encerrada em junho de 2025 com decisão favorável ao advogado no STJ. Flávio Bolsonaro foi testemunha no processo, em 2022.
Após a publicação, Lídia afirmou nunca ter sido doméstica, ser bacharel em Administração desde 2002 e ter exercido de fato os cargos até junho de 2026.
Há registro no Conselho Federal de Administração. Willer primeiro contestou a abordagem, mas depois admitiu que era ela e disse que teria agido por medo. Negou sociedade de Flávio Bolsonaro no imóvel de Angra. O senador não se manifestou.
Empresas do grupo cederam ao candidato casa em Angra para a festa da filha em fevereiro e apartamento em São Paulo usado na campanha: o mesmo comprado de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, com deságio de R$ 2 milhões.
A imprensa mapeou cinco viagens internacionais da dupla em 2025, inclusive safári com o senador Weverton Rocha (PDT-MA).
Na Operação Sem Desconto, a PF descreveu Willer como “hub financeiro, patrimonial e logístico”.
A Loterj rescindiu o contrato com a RioPag, administrada por Lídia e com Willer como cotista da controladora, por inadimplemento e cobrança de cerca de R$ 20,9 milhões não repassados.