Estadão alerta para o risco de as milícias chegarem ao topo do poder com Flávio

O jornal O Estado de S. Paulo (Estadão) teceu duras críticas à ligação do senador Flávio Bolsonaro (PL) com milicianos do Rio de Janeiro. No editorial intitulado “Flávio e a sombra dos milicianos”, a publicação demonstra séria preocupação com o fato de o senador ter destinado valores para o miliciano Robson Calixto, vulgo “Peixe”.

O jornal destaca que a negociata é escandalosa, ainda mais por Flávio ser um dos postulantes ao Planalto.

Segundo o editorial, é “extremamente preocupante” a ligação de Flávio com “Peixe”, um conhecido da Justiça, condenado por integrar a organização criminosa dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, todos condenados e presos pelos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, no Rio de Janeiro (RJ), em 2018.

O fato de o candidato ter mantido vínculo com o criminoso ainda é agravado pela resposta apresentada pela campanha do senador, que se limitou a justificar que a prestação de contas da emenda parlamentar alvo da investigação da Polícia Federal é de responsabilidade de quem recebeu o recurso e se isentou totalmente do malfeito.

“Sobre o fato mais escabroso – a proximidade entre o senador e um miliciano condenado –, Flávio não deu uma satisfação sequer aos eleitores”, diz o editorial.

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Na avaliação feita, o Estadão ironiza a dificuldade de Flávio oferecer respostas para seus atos com objetividade, pois faz mais de duas décadas que a sombra de milicianos o ronda, desde o início de seu mandato como deputado estadual no Rio, em 2003.

Foram lembrados seus discursos enquanto deputado, em que legitimou a presença de milícias, chamou desvios de “casos isolados”, normalizou a extorsão feita pelos milicianos em troca de “proteção”, assim como condecorou o assassino de aluguel Adriano da Nóbrega, líder do Escritório do Crime.

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Nesse sentido, é lembrado que as eleições se aproximam e que o envolvimento de Flávio com milícias “não é questão menor”, uma vez que os vínculos, nunca explicados satisfatoriamente, carregam o peso de toda a sorte de crimes.

Assim, o jornal reforça a liberdade de cada eleitor optar por um candidato, mas alerta para o risco de que a milícia suba a rampa do Palácio do Planalto caso Flávio seja eleito: “Mas que todos estejam cientes de que, dado o histórico, a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro embute o risco da ascensão das milícias ao topo do poder da República”, finaliza o texto.

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