
Por Vítor Peruch
Da Página do MST
O episódio “O eterno abril de Carajás: 30 anos de um massacre”, do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, está entre os finalistas da 48ª edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. A produção concorre na categoria Vídeo.
Neste ano, foram 346 trabalhos inscritos em sete categorias, e 21 chegaram à final. Os vencedores serão conhecidos na sessão pública de julgamento, no dia 30 de setembro, quarta-feira, a partir das 14h, com transmissão ao vivo pelo Canal do Prêmio no YouTube.
Memória viva da luta pela terra
O episódio revisita os 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás, quando 21 trabalhadores Sem Terra foram assassinados pela Polícia Militar do Pará, em 17 de abril de 1996. Mais do que registrar uma efeméride, o programa mergulha na memória da violência no campo e na luta pelo direito à terra.

A reportagem mostra o que mudou e o que permanece. O massacre impulsionou avanços na política de Reforma Agrária, entre eles a criação do Assentamento 17 de Abril. Ao mesmo tempo, o Pará segue no topo do ranking nacional de assassinatos, massacres e chacinas no campo. É esse o “eterno abril” do título: uma ferida aberta e uma rotina de violência que persiste nas terras paraenses.
Para Thiago Padovan, jornalista da TV Brasil e produtor da reportagem, o episódio só foi possível pela confiança das famílias assentadas. “As trabalhadoras e os trabalhadores rurais sem-terra do Pará são guardiãs e guardiões dessa memória coletiva. A acolhida, o respeito e a confiança que as/os assentadas/os do ’17 de Abril’ depositaram no trabalho da nossa equipe nos permitiram registrar a dimensão humana da luta pela terra”, afirma.
Segundo ele, mesmo diante das perdas de 1996 e das ameaças que ainda persistem no campo, “a organização popular transforma, ainda hoje, a tragédia em resistência”.
“Luta pela democracia”
Padovan afirma que chegar à final do Herzog reafirma a missão da comunicação pública de resgatar a memória histórica da luta pela terra e defender os direitos humanos. “Revisitar os 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás não é apenas olhar para o passado, mas denunciar como as raízes fundiárias da Ditadura Militar e a violência no campo persistem nas terras paraenses”, diz.
O programa, segundo ele, busca “dar nome e dignidade às vítimas e aos sobreviventes”, mostrando que a luta pela Reforma Agrária “é, também, uma luta pela democracia e pelo direito fundamental de existir”.
Equipe e premiação
Assinam a produção finalista Thiago Padovan, Acácio Barros, JM Barboza, Rafael Carvalho, Márcio Garoni, Rodrigo Botosso, Nelson Lin e Fábio de Albuquerque. Na categoria Vídeo, o episódio concorre com outras duas produções: “22 Semanas”, da Folha de S.Paulo, e “Trabalho escravo doméstico: silêncio e servidão”, também da TV Brasil.
A solenidade de premiação será em 20 de outubro, às 20h, no Tucarena (PUC-SP), em Perdizes, São Paulo. Antes, às 14h, os ganhadores participam de uma roda de conversa no mesmo local.
O prêmio homenageia o jornalista Vladimir Herzog, torturado e assassinado pela ditadura civil-militar em 25 de outubro de 1975, nas dependências do DOI-CODI, em São Paulo.
*Editado por Fernanda Alcântara