Se você acompanhou as mobilizações da USP, UNESP e UNICAMP deste ano, deve ter visto o seguinte vídeo circulando nas redes: “O que leva algumas das maiores universidades do país a parar?”, questiona um jovem em meio ao piquete da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Para responder, ele se levanta da carteira e começa a percorrer a USP, explicando o histórico de subfinanciamento das estaduais paulistas e seus impactos na comunidade universitária.

Após trazer dados sobre bandeijão com larvas, moradias estudantis inacabadas e desvalorização salarial dos servidores, a conclusão do vídeo é simples: para atender às atuais demandas do ensino superior, é necessário aumentar o investimento público. E arremata: “Não existe país desenvolvido e de economia forte que não investe nas suas universidades”.
Em pouco tempo de postagem, a repercussão foi enorme. Com mais de 1 milhão de visualizações e 50 mil curtidas, tornou-se o vídeo mais visto e compartilhado com conteúdo favorável à mobilização universitária.
Se você ainda não o conhece, Guilherme Cortez é o autor do vídeo. Mais jovem deputado estadual de oposição ao Tarcísio, e atual promessa para renovar a bancada progressista em Brasília, ele se destacou na época por um simples motivo: a capacidade de disputar a opinião pública em favor da universidade.
Compromisso genuíno com a universidade pública
Mas esse traquejo não veio do nada. Entre 2016 a 2020, ao longo da sua graduação em Direito na UNESP Franca, Cortez se viu na obrigação de defender inúmeras vezes a universidade pública.
Quis o destino que ele estudasse na pioneira na aprovação das cotas, também conhecida como “prima pobre” das estaduais paulistas, durante um momento de grave baixa orçamentária, com enxugamento de verba para os departamentos, longos arrochos salariais e estagnação das políticas de permanência.
E tudo isso no período de ascensão da extrema direita, exatamente entre 2016 e 2020, começando pelo golpe, passando pela eleição do Bolsonaro e terminando no primeiro ano de pandemia, com uma política negacionista.
Enquanto estudante, aproveitou ao máximo a experiência universitária, ao mesmo tempo que assumiu todos os compromissos possíveis para defendê-la do negacionismo e do subfinanciamento.
Ingressante da escola pública, foi bolsista de permanência, deu aulas no cursinho popular, realizou iniciação científica com bolsa FAPESP e estagiou na prefeitura, enquanto presidia o Centro Acadêmico de Direito e representava os estudantes no fórum de sindicatos e entidades das estaduais paulistas (Fórum das Seis).
Liderou mobilizações, fez reuniões com a reitoria, participou de audiências na Câmara Municipal e na Assembleia Legislativa, sempre na condição de estudante, pelo compromisso de defender aquilo que ele teve acesso e considerava justo ampliar.
Quando eleito, um dos seus primeiros discursos foi no Conselho Universitário da UNESP, na frente de reitoria, professores, servidores e estudantes, onde ele disse: “Graças a estudantes que se mobilizaram em 2013, que provavelmente eu nunca conhecerei, pude entrar na UNESP pela política de cotas (…) precisamos lutar pelos que virão”.
Defesa da universidade pública contra os ataques da extrema direita
Nessa energia, no começo do ano, ele passou por mais de 30 universidades, espalhadas por mais de 20 cidades do estado de São Paulo, para conversar com estudantes, servidores e professores. Uma frase foi repetida em todas elas, parafraseada de Gramsci: “Estudem, porque vamos precisar do seu conhecimento. E se agitem, porque vamos precisar do seu entusiasmo.”

Enquanto os candidatos da extrema direita foram às universidades para “caçar likes”, intimidando estudantes e rasgando cartazes, Cortez fez o oposto. Reuniu milhares de estudantes, não para criar conteúdo provocativo e negacionista, mas para dialogar sobre projeto de educação e futuro.
Não surpreende que Cortez seja visto como a antítese de Lucas Pavanato, também conhecido como “caça-likes da USP”. Ambos têm 28 anos, disputam os votos do público jovem e fazem aparições frequentes em universidades públicas: Pavanato com o objetivo de desmoralizá-las, e Cortez com o objetivo de defendê-las.
Há um ano, os dois se enfrentaram em um debate no Flow Podcast, em que Cortez o questionou: “Já que você gosta de universidade e passa boa parte do tempo indo para lá provocar estudantes, queria te perguntar: você sabe como as universidades são financiadas e desde quando o investimento nelas está congelado?”. Seu debatedor não respondeu à pergunta, e Guilherme afirmou que o percentual de investimento não muda desde antes de eles nascerem.

Atenção às demandas das universidades
Além da disputa ideológica, Cortez sempre mostrou trabalho e atenção às demandas das universidades. Ele foi o deputado que mais destinou emendas parlamentares à UNESP, a “prima pobre” das estaduais paulistas, com um total de 2,8 milhões já executados. Dentre as quais, destacamos as seguintes obras e aquisições:
- Reformas em salas de cursinhos populares
- Construção do bloco de pós-graduação da UNESP Franca
- Aquisição de geladeiras coletivas e microondas para os refeitórios universitários
- Construção do refeitório universitário da UNESP Tupã
Ele também foi o deputado que mais defendeu os cursos da área de saúde, com diversas ações relacionadas:
- Questionamento da Secretaria de Saúde diante da tentativa de privatização do Hospital de Sumaré da UNICAMP
- Campanha contra a autarquização dos hospitais da UNICAMP
- Denúncia do fechamento do curso de Odontologia noturno da USP
- Denúncia do curso de 8 mil reais ofertado pela Faculdade de Medicina da USP
- Luta contra a implementação do EAD nos cursos de saúde
As lutas das universidades paulistas precisam chegar em Brasília
Além das lutas que o Guilherme já travou como deputado estadual, você pode conferir as propostas dele para o Congresso no site dele (cortez5005.com.br), algumas listadas aqui:
- Nacionalização do Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), garantindo verba própria para a construção de restaurantes universitários e moradias estudantis próximas aos campi, bem como o pagamento de bolsas de permanência em quantidade suficiente e valor digno
- Estabelecimento de uma política nacional de reajuste e valorização das bolsas de pesquisa de pós-graduação e ampliação da proteção trabalhista aos pesquisadores
Caso seja eleito, Guilherme poderá ampliar nossa bancada progressista, levando nossas lutas por mais financiamento das universidades públicas, em defesa da permanência, da extensão e da pesquisa, para Brasília.
Se muito vale o já feito, mais vale o que será.